Ouro sobe 5,55% e é a melhor aplicação de janeiro

Na ponta contrária, o dólar comercial perdeu 0,86%, um pouco abaixo do IGP-M, que teve recuo de 0,44%

Leandro Modé, de O Estado de S. Paulo,

30 de janeiro de 2009 | 19h32

O ranking dos investimentos de janeiro reflete claramente a instabilidade que ainda domina os mercados financeiros, não só no Brasil, mas no mundo todo. A liderança do levantamento ficou com o ouro, que se valorizou 5,55%. Logo atrás veio o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), que valorizou 4,66%. Na ponta contrária, o dólar comercial perdeu 0,86%, um pouco abaixo do Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M), que teve recuo de 0,44%. Em geral, o ouro acompanha o movimento do dólar, mas isso não ocorreu desta vez. "O ouro teve forte ganho no mercado internacional", explicou o administrador de investimentos Fabio Colombo. Nos últimos 30 dias, o metal apresentava uma valorização de quase 7%. A alta se deve às incertezas que ainda rondam os investidores.  A principal delas, afirmou o economista-chefe do banco WestLB, Roberto Padovani, diz respeito ao sistema bancário dos Estados Unidos. Nas últimas duas semanas, o medo de insolvência generalizada voltou a atormentar os mercados. "A variável chave do momento é a reforma bancária nos EUA", disse Padovani. "Se for boa e abrangente, a tendência (para o mercado) é de recuperação." O especialista não demonstra otimismo com os sinais emitidos até agora pelo governo de Barack Obama. Por isso, acredita que o viés para os investimentos de risco (como bolsa de valores) é negativo para os próximos meses. "O desenho (da reforma) ainda não está claro." No curto prazo, Padovani avalia que o mercado concede ao governo americano uma espécie de "benefício da dúvida". "Mas, no médio e longo prazos, essas indefinição é muito ruim", disse. O economista lembra que, na crise atual, a situação tem se deteriorada muito rapidamente.  Apesar da expressiva alta do Ibovespa no mês, Fabio Colombo prefere manter a cautela. "Temos visto muita notícia ruim sobre a desaceleração global", disse. "Praticamente todos os indicadores (econômicos) estão sendo revisados para baixo." Nesse ambiente, ele recomenda ao investidor que já quer se arriscar na bolsa de valores que compre ações pouco a pouco. Assim, conseguirá um preço médio pelo papel e estará protegido contra eventuais desvalorizações abruptas, comuns em tempos de crise.

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