Ouro tem recorde nesta terça e lidera investimento pelo 2º mês

Com alta de 15,93% em novembro, metal supera a rentabilidade do Ibovespa no período, de 8,94%

Nathália Ferreira, da Agência Estado,

01 de dezembro de 2009 | 09h07

O ouro spot atingiu novo recorde de alta nesta terça-feira, 1, bem perto de US$ 1.200, enquanto que no mercado futuro o ouro para fevereiro já superou brevemente essa marca, ajudado pela desvalorização do dólar e pelo retorno dos investidores às commodities depois das vendas pesadas da semana passada. No mercado local, a possibilidade de uma realização de lucros na bolsa levou o ouro, pelo segundo mês consecutivo, à liderança do ranking de investimentos em novembro.

 

Com valorização de 15,03% no último mês, o ouro superou o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), que rendeu 8,94% no período. Desde julho, o Ibovespa mantinha a primeira posição do ranking. Mesmo sem a liderança nos últimos dois meses, o índice já soma 78,55% de valorização - dez vezes mais que os fundos de renda fixa, segundo colocado no ranking, com 7,51%.

 

Apesar do avanço dos últimos dois meses, o metal tem a quinta melhor valorização no acumulado no ano, perdendo para fundos de renda fixa (7,51%), DI (7,26%) e CDB (7,16%), além do Ibovespa, líder absoluto. Segundo os especialistas, a valorização da bolsa segue uma tendência mundial. "Todas as bolsas ligadas a países fornecedores de commodities foram bem. A Bovespa, especialmente, foi uma das melhores", diz o administrador financeiro.

 

Às 8h47 (de Brasília), o ouro spot era negociado a US$ 1.194,10 a onça troy, em alta de 1,29%, após ter atingido recorde a US$ 1.199,25. Na Comex eletrônica, o ouro para fevereiro atingiu a máxima de US$ 1.200,50 a onça troy. No horário acima, o contrato era negociado a US$ 1.195,1, em alta de 1,10%.

 

Os temores de amplas consequências com os problemas de dívida do conglomerado Dubai World diminuíram e o apetite por risco recebeu um impulso dos dados que mostraram melhora na atividade industrial da China e da terceira elevação consecutiva de juro pelo banco central da Austrália. As medidas extraordinárias anunciadas pelo Banco do Japão, com injeção de cerca de US$ 115 bilhões no sistema financeiro, contribuíram para o tom positivo, disseram analistas.

 

"Parece que tentaremos o nível de US$ 1.200 (no mercado à vista) hoje", disse o operador Michael Kempinski, do Commerzbank. "O dólar fraco ajuda e depois das vendas de sexta-feira, todos estão pulando de volta para as commodities." O operador acrescentou que o volume fraco torna mais fácil para os preços subirem.

 

O Dubai World disse nesta terça-feira que estava em negociações sobre US$ 26 bilhões da dívida estimada de US$ 60 bilhões, amenizando as preocupações de que pode dar calote em toda a dívida.

 

Com o sentimento do investidor rapidamente se recuperando do susto com o conglomerado de Dubai, o ouro deve continuar atraindo investidores que buscam hedge contra a inflação e o dólar mais fraco, disseram analistas. Mas eles também não descartam uma correção antes do término do ano. As informações são da Dow Jones.

 

(com Marianna Aragão, de O Estado de S. Paulo)

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