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Outro leilão, outros tempos

Se a 13ª Rodada de Licitações da ANP não fracassar de vez, já terá sido grande feito

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2015 | 21h00

Fossem outros os tempos, a 13.ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, a ser realizada nesta quarta-feira, estaria provocando grandes expectativas e enorme disputa entre interessados.

Mas, desta vez, nem o olho gordo da Receita Federal lançado sobre prêmios e ágios espera por grande resultado. Se não fracassar de vez, já terá sido grande feito.

São 266 blocos exploratórios, fora do pré-sal, oferecidos num momento em que as empresas de petróleo enfrentam grande reviravolta em seus negócios e baixa procura por parte dos investidores.

O produto final do setor, o petróleo, passa por turbulências não imaginadas há dois ou três anos. Os preços internacionais do barril de 159 litros ainda deslizam em direção ao fundo do poço. Em julho de 2014 passavam dos US$ 100, hoje rondam os US$ 50 (veja o gráfico). Os mercados estão encharcados de óleo e derivados, enormes investimentos ao redor do mundo vêm sendo desativados ou, simplesmente, adiados. Sobram equipamentos, as empresas do setor estão à procura de interessados por seus ativos e cada vez mais exigentes em relação ao retorno operacional de cada dólar despejado na exploração.

Mas o jogo contra não se limita aos contratempos externos. O diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (Cbie) Adriano Pires observa que dois fatores não ajudam a estimular o apetite dos interessados. O primeiro é o baixo potencial produtivo da maioria das áreas. O outro é a boa dose de irrealismo das exigências impostas pelo regulamento do leilão: “Quem escreveu as regras desta rodada pensa que o barril do petróleo está a US$ 100 e que a Petrobrás está nos céus”, observa.

Pires cita o exemplo do México que, após um leilão frustrado em julho, no qual apenas 2 de 14 blocos ofertados foram arrematados, redesenhou os termos contratuais para uma segunda rodada realizada ao final de setembro, para que a regulação se tornasse mais “friendly”. Não chegou a ser sucesso, mas 3 das 5 reservas colocadas à venda foram arrematadas.

O ex-diretor-geral da ANP David Zylbersztajn concorda em que as regras do jogo estão excessivamente rigorosas para as novas condições do mercado, mas aponta outro fator que conspira contra o sucesso do leilão: a crise do caixa da Petrobrás. O endividamento da empresa caminha para os R$ 500 bilhões e a situação fica mais grave com a alta do dólar ante o real (44,78% só em 2015): “É pouco provável que nosso grande ator interno se interesse por alguma área”, afirma Zylbersztajn.

Como apontam os cálculos do Cbie, a média de participação da Petrobrás no total de bônus de assinatura das outras 12 Rodadas de Licitação da ANP foi de 38,15%. Na 12.ª Rodada, realizada em novembro de 2013, arrematou 49 dos 72 blocos exploratórios licitados. Esse interesse não existe mais. O analista de petróleo Walter de Vitto, da Consultoria Tendências, vê um lado positivo nessa participação mais baixa: “É um cenário que abre espaço para outros players, o que aponta para mais diversificação e dinamização do setor”.\COLABOROU LAURA MAIA

CONFIRA:

Esta é a evolução do saldo das cadernetas nos sete últimos meses.

Despoupança

Mês a mês, os saques são superiores aos depósitos. A caderneta de poupança vem perdendo seu charme. A inflação morde o rendimento, mas esse não é o único fator de rejeição. O desemprego e a redução da renda já não deixam mais sobras para aplicação. Ao contrário, obrigam o depositante a complementar seu orçamento com saques. A principal consequência é a redução da poupança nacional e volume menor de recursos disponíveis para financiamento da casa própria.

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