PAC de Lula lembra esforço do Avança Brasil, de FHC

O dilema de alavancar a atividade econômica brasileira levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a anunciar, em clima de alta expectativa, um programa que lembrou o esforço de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, no período pós-crise de 1999. O Avança Brasil foi lançado por FHC no fim de agosto de 1999 - seis meses depois da mudança da política cambial e da severa desvalorização do real - e deixou alguns remanescentes de seus 365 projetos para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) exposto na segunda-feira por Lula.Entre as obras que passaram do Avança Brasil para o PAC estão pelo menos seis rodovias. A primeira é a duplicação do trecho de Belo Horizonte a Governador Valadares da BR-381. Outro caso é a duplicação da BR-153, na divisa de Mato Grosso e Goiás. Também consta do PAC um projeto para o qual o Avança Brasil previa a conclusão em 2008 - a duplicação da BR-101, no trecho entre Palhoça (SC) e Osório (RS).Resistiram ao tempo as obras de duplicação da BR-060, de Brasília (DF) a Anápolis; da BR-070, do Distrito Federal a Águas Lindas (GO), e da BR-153, de Aparecida de Goiânia a Itumbiara (GO).No setor de geração de energia elétrica, o Avança Brasil apostou na construção de termelétricas. O PAC de Lula investe mais pesado nas hidrelétricas - inclusive naquelas que seu antecessor preferiu não incluir por causa das dificuldades para obter licenças ambientais e de investimentos privados. O PAC listou hidrelétricas de execução complicada, como a de Belo Monte (PA), e incluiu projetos no Rio Madeira (RO) com risco de confusão diplomática com a Bolívia - as hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio.Embora a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) tenha insistido que nunca na história do Brasil houve um plano com preocupação regional, o Avança Brasil seguia a mesma lógica. Mas, em vez de apontar os projetos por região, o plano de FHC os organizou em eixos de integração da infra-estrutura existente e sua melhor aplicação ao desenvolvimento regional. O projeto de FHC envolveu R$ 317 bilhões em investimentos para 2000 a 2003, a serem executados por parcerias entre os setores público e privado, com um leque de projetos mais amplo que o do PAC.

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