PAC deve reduzir custo de geração de energia em até 18%

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse nesta terça-feira, 23, que as medidas de desoneração do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) devem provocar uma redução do custo da geração de energia no País entre 10% e 18%, dependendo do tamanho do projeto. Segundo ele, apesar de não apresentar grandes novidades para o setor, o PAC terá como efeito principal garantir maior rentabilidade e segurança ao investidor em energia.Tolmasquim apresentou nesta terça o balanço do consumo de energia de 2006, que atingiu os 347.371 gigawatts-hora (GWh), volume 3,8% superior ao consumido no ano anterior. O desempenho é pior do que o registrado em 2005, quando o consumo cresceu 4,6%. Segundo Tolmasquim, a desaceleração foi provocada pelas temperaturas mais baixas, que reduziram o uso de ar condicionado, e pela maior quantidade de chuvas que caiu durante o ano, evitando maiores gastos de energia com irrigação.Segundo estimativa da EPE, o consumo de energia deve crescer 5,3% este ano, considerando um crescimento do PIB em torno dos 4%. Tolmasquim disse que, se a economia se desenvolver aos 5% anuais como espera o governo, a EPE terá que rever suas projeções de consumo para o futuro, que atualmente consideram o PIB se elevando "entre 4% e 5%" ao ano. Ele admitiu que, se o desempenho ficar próximo do teto, o Brasil precisará de 1 mil megawatts (MW) adicionais em 2010.O executivo frisou, porém, que ainda há tempo para realizar novas licitações de compra de energia e que há projetos prontos que podem ser ligados rapidamente. "O cenário está tranqüilo", afirmou, garantindo que as distribuidoras de energia já compraram toda a energia de que precisam até 2011.Tolmasquim admitiu que a lista de investimentos do PAC para o setor elétrico não apresenta novidades em relação ao Plano Decenal de Energia Elétrica (PDEE) 2006-2015, divulgado pela EPE no ano passado. Mas disse que pontos importantes, como a melhoria das condições de financiamento do BNDES, a regulamentação da legislação ambiental e a proposta de lei das agências reguladoras, como medidas para atrair o investidor."Esse conjunto de coisas vai fazer com que aqueles projetos que já estão listados possam realmente sair do papel, porque o investidor vai encontrar financiamento barato, licenças ambientais e marco regulatório estável", afirmou.Tolmasquim informou que o governo deve licitar, ainda no primeiro semestre deste ano, a usina de Santo Antônio, no rio Madeira, com capacidade para gerar cerca de 3 mil MW. A outra usina do complexo, Jirau, com capacidade semelhante, deve ser leiloada até o final do ano.

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