PAC deveria ter metas de emprego, diz economista

O economista Márcio Pochman, professor de Economia e integrante do Centro de Estudos de Economia Sindical e do Trabalho da Universidade de Campinas, diz que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) divulgado nesta semana pelo governo deveria também incluir metas de criação de emprego. "Como nós vivemos uma crise do emprego no Brasil, seria bom que o programa tivesse uma meta de emprego", afirmou o economista, especialista em emprego, em entrevista à BBC Brasil.A expectativa, diz ele, vem da crítica que o próprio governo fez a programas anteriores, de que não resolveram o problema social."Por isso causa certo espanto que o programa do governo Lula não tenha esta ênfase na questão social", afirmou. Ele ressalta que o aumento dos investimentos previsto pelo programa e o crescimento econômico esperado a partir dele devem ter como conseqüência o aumento dos empregos, mas lamenta a ausência de um comprometimento maior com a questão.O programa traz uma expectativa de expansão da economia de 4,5% este ano e de 5% anuais entre 2008 e 2010. O investimento total previsto é de R$ 503,9 bilhões.Baixa qualidadeNos últimos seis anos, diz Pochman, 90% dos empregos criados são de baixa qualidade, com salários inferiores a um salário mínimo e meio, fruto da maior ocupação da capacidade já instalada.Com novos investimentos, ele acredita que podem ser criados empregos com maior remuneração, com a instalação de empresas de tecnologia mais moderna.O ponto mais positivo do PAC, na avaliação de Pochman, é a regionalização dos projetos de infra-estrutura, com destaque para os investimentos nas regiões mais pobres."É importante para o desenvolvimento regional", diz ele. "Com exceção do segundo Plano Nacional de Desenvolvimento, do governo Geisel, nunca nenhum plano previu esta regionalização", afirmou.Ele vê uma mudança na política de ênfase à estabilidade que vigorou no primeiro mandato do presidente Lula, mas, na sua opinião, nem todo o governo está convencido disso.Um sinal, diz, é a redução de apenas 0,25 ponto porcentual na taxa básica de juros nesta quarta-feira. "Não existe um consenso nem mesmo dentro do próprio governo. Mostra que esta maioria política (pelo crescimento) ainda não está consolidada, está em formação", disse.

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