PAC é insuficiente para o crescimento futuro, diz economista

O diretor de macroeconomia do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Paulo Levy, afirmou nesta terça-feira, 30, que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é insuficiente para garantir o crescimento de longo prazo e que o governo deveria focar na continuação das reformas, principalmente a da Previdência. "Não é o PAC em si mesmo que vai criar condições para que o País deslanche", disse Levy, citando ainda a reforma tributária e a consolidação do marco regulatório como questões a serem enfrentadas.Para a Previdência, o diretor do Ipea apontou sugestões como a instituição de idade mínima para a aposentadoria e a desvinculação dos benefícios ao salário mínimo. Levy sugeriu que as aposentadorias sejam corrigidas por um índice de inflação comum, como os IPCs, ou por um índice específico, como a inflação da terceira idade medida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que manteria o poder de compra do aposentado."Os benefícios previdenciários são os gastos que apresentaram crescimento mais acelerado nos últimos anos", destacou, em palestra durante o seminário "O Brasil que cresce", na sede da Petrobras. Nas suas contas, entre 1991 e 2006, os gastos com benefícios saltaram de 3,5% a 8% do Produto Interno Bruto (PIB). "E a tendência é que continuem subindo. Em 2007 essa relação deve chegar a 8,5%."Para Levy, o PAC tem como principal vantagem o fato de contribuir para ampliar o investimento público, que caiu à metade nos últimos 30 anos, atingindo 2% do PIB em 2004. Após enumerar uma série de estimativas positivas para a economia, como o crescimento do consumo privado (5,1%) e da taxa de investimento (7,1%) para 2007 , concluiu que o Brasil passa por um momento que chamou de "reform fatigue", ou cansado de reformas."Estamos passando por reformas nos últimos 10, 15 anos e ainda não há resultados", explicou o diretor do Ipea, para logo após citar como exemplos Espanha, Portugal e Grécia, que viveram momentos semelhantes na década passada e, na sua opinião, hoje já conseguem sentir os efeitos dos sacrifícios realizados.

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