Roque de Sá/Agência Senado
Roque de Sá/Agência Senado

Pacheco diz que não há 'mínima razoabilidade' em instalar CPI da Petrobras

Governo quer instalar comissão ainda esta semana; requerimento acusa empresa de 'reserva de lucro irregular'

Weslley Galzo, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2022 | 14h12

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), se posicionou nesta terça-feira, 21, contra a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara para investigar a política de preços da Petrobras. Segundo o parlamentar, “não tem a mínima razoabilidade uma CPI num momento desses”. 

‘Eu, particularmente, sobre o conceito de CPI para um caso desse, obviamente não sou favorável. Acho que não tem a mínima razoabilidade uma CPI num momento desses, por conta de um fato desses. Há outras medidas de índole Executiva e Legislativa muito mais úteis para resolver o problema do que uma CPI”, afirmou.

Pacheco participou na última segunda-feira, 20, da reunião de líderes da Câmara, convocada pelo presidente da Casa, Arthur Lira (Progressistas-AL), para discutir a eventual instalação da CPI e demais medidas ao alcance do Congresso para conter a subida dos preços dos combustíveis.

O governo começou a colher assinaturas de deputados para o requerimento da CPI e quer a instalação ainda nesta semana. No requerimento, Petrobras é acusada de 'reserva de lucro irregular'.

Na contramão do que defende o presidente do Senado, o deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), do mesmo partido do presidente Jair Bolsonaro, apresentou ontem, 20, o requerimento parlamentar para a instalação da CPI. No documento, o parlamentar acusa a empresa de fazer uma “reserva de lucro” irregular e acima dos parâmetros técnicos definidos. 

Para Pacheco, a relação entre a Petrobras e o governo é indissociável. O discurso do presidente do Senado se difere do difundido por Bolsonaro, que tenta responsabilizar exclusivamente a presidência da empresa pelos reajustes impopulares realizados recentemente. A pressão política do Palácio do Planalto fez com que o então presidente da estatal, José Mauro Coelho, renunciasse ao cargo na tarde de ontem.

“A Petrobras é uma empresa com regras de governança, cujo conselho é escolhido pelo governo da União, que é sua principal acionista.  Não há dicotomia entre Petrobras e governo. Na verdade, há uma junção e comunhão para poder disciplinar a questão dos combustíveis no Brasil. Se é uma empresa que hoje está tendo lucros muito expressivos, se pode pensar numa série de outras medidas que podem ser trabalhadas”, afirmou Pacheco.

O presidente do Senado propôs reverter os lucros e dividendos da União com a estatal em políticas públicas dirigidas aos grupos sociais mais afetados pelos reajustes da empresa, como caminhoneiros e taxistas. Outra sugestão de Pacheco foi utilizar os ganhos do governo com a Petrobras para subsidiar gás de cozinha aos beneficiários do Auxílio Brasil.

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