Pacote americano não anima investidores; Bolsa sobe 0,82%

Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, não surpreendeu e os mercados ficaram apáticos

18 de janeiro de 2008 | 18h24

O mercado financeiro trabalhou durante a manhã na expectativa do anúncio do pacote de ajuda à economia norte-americana. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, não surpreendeu e os mercados passaram o resto do dia em ritmo morno. No encerramento dos negócios, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) estava em 57.506 pontos, alta de 0,82%. Apesar da alta, no mês, a Bovespa ainda acumula perda de 10%.  Veja também:Bush anuncia pacote de ajuda à economia de US$ 150 bilhõesDesaceleração nos EUA terá impacto em emergentes, diz BirdPlano de estímulo nos EUA deve trazer restituição fiscal 'The Economist' destaca situação favorável do Brasil Entenda a origem da crise nos EUA  Acompanhe na Bovespa o desempenho das ações   O Ibovespa conseguiu se descolar de Nova York na reta final. Lá, o índice Dow Jones cai 0,40% e a Nasdaq - bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e internet - recua 0,29%. Como era esperado, o presidente americano não detalhou as medidas do plano de recuperação da economia. Apenas deu as linhas gerais e adiantou que o estímulo será de 1% do PIB do país. Ou seja, um valor entre US$ 130 bilhões e US$ 150 bilhões. Ele adiantou que o pacote é temporário e deve ser montado rapidamente.  O secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, já adiantou que a maior parte do pacote deverá ter o consumidor como alvo principal. Além disso, o pacote poderá estimular a criação de 500 mil empregos. Repercussões "O pacote criou uma expectativa muito grande, que não foi atendida pelo anúncio em si. O volume de recursos que deve ser aplicado na ajuda, em torno de US$ 150 bilhões, até é boa, já que supera as perdas estimadas pela crise, algo em torno de US$ 100 bilhões, mas o problema é que o prejuízo final ainda é incerto", comentou Fausto Gouveia, da Alpes Corretora. A seu ver, o problema é bem mais profundo do que simplesmente injetar dinheiro na economia, porque também será preciso restaurar a confiança da população. Endividadas, as pessoas temem voltar a gastar. Gouveia também chamou a atenção para a agilidade na implementação das medidas. "O rápido de Bernanke e Bush não é o rápido do Congresso, que nem está funcionando ainda", registrou. "E o momento exige medidas imediatas. Precisa ser algo rápido de verdade", ponderou. Para o economista Bráulio Borges, da LCA Consultores, o pacote só deve começar a mostrar seus efeitos sobre a economia do 2º trimestre em diante. "A situação do primeiro trimestre já está dada", salientou. Até lá, afirmou o economista, os mercados devem manter a volatilidade. O economista disse ainda que a partir do segundo trimestre ficará mais claro se os EUA entrarão em recessão. Borges espera que o PIB do 1º trimestre fique perto de 0%, com uma média de crescimento de 1,5% por trimestre ante uma média de 3% no ano passado. Para o final do ano, o economista prevê PIB "pouco abaixo de 2%". Para Borges, os juros americanos devem cair 0,5 ponto porcentual em janeiro e mais 0,25 em março.  Já o professor de economia da PUC-SP e também membro do Conselho Superior de Economia da Federação das Indústrias do Estado, Antonio Correia de Lacerda, é mais otimista. Ele avalia que as medidas do governo americano devem aquecer a economia. "Eu particularmente não acredito que a economia americana entre em recessão, mas sim sofra uma desaceleração", disse. Ele lembrou que o economista Keynes em 1929 defendeu os mesmos mecanismos para acelerar a economia americana, em recessão naquele momento. "Volto a repetir, são medidas monetárias clássicas. O poder executivo pode adota-las. O Banco Central, o Federal Reserve, deverá por sua parte, reduzir os juros também", disse o economista. Oscilação continua  A única certeza que vale para os mercados é a de que a volatilidade continua, como se repetem em dizer os especialistas nas últimas semanas. Até que alguma coisa concreta se efetive, do lado bom ou ruim, nos Estados Unidos, as decisões ficam comprometidas pelo dia-a-dia. E na semana que vem, haverá dois feriados - segunda-feira, nos EUA, de Martin Luther King Jr., e na sexta em São Paulo, de aniversário da cidade - para concentrar as operações.

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