Pacote argentino deixa mercados apreensivos

As medidas econômicas anunciadas em Buenos Aires neste final de semana só valerão a partir de quarta-feira, quando acaba o feriado bancário em vigor e os mercados financeiros reabrem. Como a tendência atual da economia é de certa estabilidade, a situação argentina, sem trazer desespero, é o que vem norteando a ação dos investidores. Até a reação dos mercados e da população argentina, o clima deve ser de cautela.De acordo com as exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI), foi decretada a livre flutuação do peso. Com isso, deve haver um forte estímulo às exportações e à substituição de importações, o que se considerava a raiz da crise. Porém, não se resolveu a contento o rombo que sobrou para os bancos da conversão de dívidas e depósitos na moeda norte-americana.O governo determinou que todas as dívidas serão pesificadas à taxa de $1 peso por dólar. Mas os depósitos bancários seguirão a conversão pelo câmbio oficial, de $1,40 por dólar. Além disso, os bancos estão proibidos de fazer operações de câmbio, e devem entregar suas reservas em moeda estrangeira ao Banco Central por $1,40 pesos. Ou seja, há o prejuízo referente à diferença entre as taxas de conversão e à diferença na venda dos dólares entre o câmbio oficial e o livre (que passa dos $2 pesos por dólar e pode disparar na quarta-feira). Estima-se que a conta chegue a US$ 30 bilhões, o suficiente para quebrar o sistema bancário. O governo pretende lançar títulos dentro do limite de $3,5 bilhões de pesos, o que pode ser insuficiente se não houver rigor nas contas públicas. Analistas temem a volta da inflação e um enfraquecimento ainda maior do sistema financeiro. Por todas essas lacunas, o FMI pode acabar não liberando os US$ 15 bilhões que a Argentina espera.O que agrava a crise argentina é a crise política que a envolve. O Congresso acelerou o processo de impeachment dos juízes da Suprema Corte por várias suspeitas de favorecimento político e corrupção. Um dos lances da disputa teria sido a decretação, na sexta-feira, da inconstitucionalidade do semi-congelamento dos depósitos bancários. Comenta-se que a decisão teria sido uma forma de chantagear o presidente Eduardo Duhalde para intervir contra o impeachment. Duhalde suspendeu a decisão por decreto no prazo de 180 dias.Fechamento dos mercadosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,4260, com alta de 0,66%. Os contratos de swap (troca) de títulos prefixados por pós-fixados com período de um ano fecharam o dia pagando juros de 20,58% ao ano, frente a 20,30% ao ano na sexta-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 1,15%.A Bolsa de Valores de Buenos Aires não funcionou hoje. Às 18h30, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - apresentava queda de 2,18%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - estava em queda de 2,97%.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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