Pacote cambial não deixará moeda estável, prevê Iedi

O presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Josué Christiano Gomes da Silva, avalia como positivo o pacote cambial, anunciado na semana passada pelo ministro Guido Mantega, na medida em que diminui a burocracia para os exportadores e seu custo cambial. Para ele, no entanto, as medidas seriam totalmente inócuas caso tivessem sido formuladas para depreciar o real em relação ao dólar. "Não acredito que o pacote teve como objetivo o câmbio. Mas, em relação aos custos das empresas, foi uma medida importante", afirmou, lembrando que o fator apreciador do real são os juros "altíssimos", que atraem capitais especulativos.Em sua participação no 3º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Gomes da Silva, que é filho do vice-presidente, José Alencar, defendeu que o próximo presidente da República tenha "obsessão pelo crescimento" da economia, porque é o único meio de se concretizar objetivos sociais. "Crescer e distribuir renda é o ponto de maior anseio da sociedade e será o ponto principal para o próximo presidente", afirmou.O empresário qualificou como pseudo-estabilidade o momento econômico do País, pois uma economia não pode ser estável ou estar sob controle se pratica os maiores juros reais do mundo (a taxa básica, a Selic, está em 14,75% ao ano). "Isso é que traz distorções no câmbio e afeta a nossa competitividade, não temos dúvidas", disse. Entre as distorções estão o aumento gradual das importações, a redução do nível de emprego e a conseqüente queda no nível salarial, motivada pela própria redução da produção e do emprego. "Na verdade, o Brasil não precisa de juros tão altos. Da mesma forma que conseguimos debelar dois problemas que pareciam insolúveis, que foram a inflação e a vulnerabilidade externa, precisamos encontrar a fórmula para combater os juros e fazer a economia crescer", defendeu.

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