Pacote de crescimento é visto com ceticismo por estrangeiros

A palestra do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na sede do Banco da Inglaterra, não foi suficiente para afastar o ceticismo com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que domina a maioria dos agentes do mercado financeiro externo. Após o evento, vários analistas entrevistados pela Agência Estado continuaram demonstrando sérias dúvidas sobre a efetiva implementação de todas as medidas contidas no pacote. Além disso, permanece a preocupação com a possibilidade de a situação fiscal do País se agravar caso o crescimento de 5% não seja atingido.É importante notar que das cerca de cem pessoas que compareceram ao Banco da Inglaterra, menos da metade era proveniente de Londres. O restante era formado por diplomatas, jornalistas e representantes de empresas ligadas ao Brasil. Mas, na terça-feira, Mantega terá um encontro privado com cerca de vinte estrategistas graduados de bancos e fundos de investimentos internacionais."O aumento dos investimentos em infra-estrutura no Brasil é uma necessidade prioritária corretamente apontada pelo ministro", disse Neil Dougall, analista do banco Dresdner Kleinwort. "Mas me parece que esse plano representa uma aposta que pode não dar certo se o País não conseguir crescer os 5%, com impacto negativo na área fiscal."Wilber Colmerauer, diretor da corretora de fundos hedge Liabilities Solutions, considerou positivo o fato de Mantega ter reafirmado o compromisso do governo com a estabilidade fiscal. "Mas o PAC continua dando a impressão de ser uma salada geral, feita às pressas, sem oferecer explicações convincentes de como o País vai crescer mais", disse. Colmerauer considerou "muito vaga" a palestra do ministro, principalmente no que se refere à origem dos investimentos. "A presença do ministro aqui é importante, mas faltou consistência e detalhamento a um público que é exigente", disse.

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