EVARISTO SÁ/AFP
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Pacote de investimento não seria possível sem ajuste fiscal, diz Levy

Em tom otimista, ministro da Fazenda disse que o governo conseguiu 'mudar o jogo' e que política econômica dá credibilidade para trazer investidores

O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2015 | 14h52

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou nesta terça-feira, 9, que, sem estabilidade macroeconômica, seria impossível o governo lançar a nova etapa do programa de investimentos em logística. "Sem estabilidade macroeconômica, seria impossível dar esse passo que estamos dando hoje", disse o ministro, ao ser questionado sobre o ajuste fiscal.

"Conseguimos algo muito importante, mudar o jogo, olhando para a frente com confiança e credibilidade da política econômica. Por isso, estamos trazendo os investidores, operadores para a gente rapidamente melhorar a nossa produtividade. São R$ 200 bilhões em investimentos na área de logística que vamos construir. Isso é muito importante", completou.

Levy disse ainda que, em termos de desenvolvimento do País, não há nada mais importante do que coordenar o trabalho do governo e as expectativas. "Nada é mais importante do que coordenar nosso trabalho com expectativas", discursou o ministro durante a cerimônia de lançamento da segunda etapa do Plano de Investimento e Logística (PIL) no Palácio do Planalto. 

Segundo Levy, apresentar esse plano é a primeira fase e outros investimentos serão incluídos nesse programa. "Sem dúvida eles ajudam a ter as expectativas de choque positivo na nossa produtividade e capacidade de competitividade. Temos uma carteira extremamente forte", avaliou.

 

Levy garantiu que há demanda no País para esses projetos e falou sobre as formas de como eles serão financiados. O discurso do ministro teve um tom otimista. "Uma característica muito importante é que elas vêm de uma manifestação clara de interesse e demanda do setor privado. A maior parte deles são obras que a gente vai ampliar e melhorar e que rapidamente trazem retorno", afirmou, acrescentando que o governo está conversando com o setor privado e olhando 20 anos à frente. 

O ministro ainda classificou a carteira de investimentos lançada esta manhã como "extremamente forte". Ele ponderou que assim que as ampliações ocorrerem, o tráfego aumentará. "Nós precisamos disso para melhorar a integração nacional e o desenvolvimento", disse Levy, que destacou que no Brasil há demanda por melhores estradas, transporte aéreo e melhor integração nacional, o que, segundo ele, "permite ao setor privado se financiar e desenvolver estratégia de participar desse grande projeto". "O setor privado tem nos confirmado que tem uma grande demanda", acrescentou. 

Ele argumentou que o Brasil tem extraordinária ferramenta para alcançar seus objetivos de integração, que é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), uma instituição que, segundo ele, vai continuar a ter papel "relevante e importante". Ele ponderou, no entanto, que como toda instituição dinâmica, "ela obviamente se adapta, se moderniza, se reinventa". "Ela hoje tem focado exatamente nesse papel de parceria com o setor privado. Ela terá um papel fundamental de criar essa arquitetura de fazer o financiamento com o setor privado", observou. 

Ajuste fiscal. Levy disse ainda que financiar a previdência social é uma pauta positiva. Ele argumentou que essa é uma das principais instituições do Brasil e que está confiante em relação à tramitação do projeto que muda a desoneração da folha de pagamentos. A fala dele ocorreu após a cerimônia do Programa de Investimentos em Logística (PIL), no Palácio do Planalto.

Segundo Levy, a maior parte das empresas entendeu a importância de reduzir a renúncia fiscal. "Como a presidente diz, (desoneração da folha) faz parte das medidas cíclicas cujo tempo já passaram", disse. "A estabilidade fiscal é totalmente essencial. O que fizemos nesses primeiros meses (ajuste fiscal) é fundamental para o que estamos fazendo hoje. Só com uma situação fiscal firme vamos poder atrair investidores", defendeu. (Reportagem de Victor Martins, Ricardo Della Coletta, Rachel Gamarski, Rafael Moraes Moura e Adriana Fernandes, André Borges e João Villaverde)

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