Pacote de portos favorece cabotagem, avalia Abac

A expectativa em relação ao anúncio, pelo governo federal, do pacote que visa aumentar os investimentos nos portos do País é positiva por parte da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac) porque criará uma base para um conjunto de medidas destinado, exclusivamente, ao desenvolvimento da cabotagem no Brasil. "O pacote de portos colocou a cabotagem nos discursos e nas ações do governo", disse Cleber Cordeiro Lucas, presidente da Abac, durante evento promovido pela Log-In Logística Intermodal em que foi apresentado o estudo Retrato da Navegação de Cabotagem no Brasil, do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS).

WLADIMIR D'ANDRADE, Agencia Estado

29 de novembro de 2012 | 12h47

"Temos expectativas muito positivas quanto ao pacote pelo que vier no sentido de expandir e facilitar a eficiência e a produtividade dos portos, o que afetará a navegação como um todo no Brasil", disse Cordeiro Lucas. Para ele, o conjunto de medidas que deve ser anunciado na próxima semana vai permitir o aumento de investimentos no setor. "Devemos iniciar um processo de destravamento dos portos brasileiros, tanto públicos quanto privados", disse.

O presidente da Abac espera medidas no pacote de portos para beneficiar a cabotagem nacional. Entre elas a regulamentação da praticagem, serviço obrigatório nos portos e que Cordeiro Lucas diz ser caro e ineficiente. "É preciso mudar a situação de que os navios esperam os práticos e não os práticos esperam os navios", afirmou. "Precisamos de oficiais no curto, médio e longo prazos."

Para o diretor-presidente da Log-In, Vital Jorge Lopes, o pacote de portos "marca um novo tempo" para o transporte hidroviário e marítimo no Brasil. "Haverá melhora na oferta de portos e nós, como usuários, ganharemos em eficiência nas operações", disse, citando que o frete representa, em média, 11% dos custos das empresas no Brasil. "Vai começar uma mudança da matriz de transporte do País", completou.

Para Lopes, os dois pontos mais aguardados são os que dizem respeito a condições para realização de licitações e concessões dos portos e à regulamentação do serviço de praticagem.

Já o diretor de Desenvolvimento de Negócios do ILOS, João Guilherme Araujo, se preocupa com a falta de informações a respeito de construção de locais para armazenar as cargas nos portos. "O problema de armazenagem não está sendo olhado", alertou. "Imagina-se que, solucionado o gargalo dos portos, teremos mais navios transportando mercadorias. Isso vai demandar mais pontos de apoio e armazéns."

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