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Pacote do BC eleva custo de bancos e provoca alta de juros para consumidor

Custo de captação para as instituições financeiras alcança o maior nível desde o auge da crise global e pressiona custo dos empréstimos

Fernando Nakagawa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2010 | 00h00

As medidas anunciadas no início do mês para conter o ritmo do crédito começam a surtir efeito. Dados preliminares divulgados ontem pelo Banco Central mostram que instituições financeiras já pagam mais para conseguir dinheiro junto aos investidores. Nos nove primeiros dias de dezembro, o custo dessa captação subiu para 11,6% ao ano, o maior patamar desde janeiro de 2009 - ainda no auge da crise.

Bancos também começam a elevar a margem cobrada nos financiamentos, o chamado spread. O resultado é que o juro, que havia caído para o menor patamar da série em novembro, começa a subir.

Anunciadas em 3 de dezembro, as medidas do BC agem em pelo menos três frentes no crédito. Na primeira, com a retirada de R$ 61 bilhões de circulação por meio de depósitos compulsórios - dinheiro dos bancos que fica retido no BC - o custo de captação de recursos aumentou para os bancos. Isso acontece porque a oferta da moeda diminui e, diante disso, quem tem dinheiro passa a cobrar mais.

Spread. Outro reflexo acontece pelo spread bancário - que é a diferença entre a taxa de captação paga pelo banco e o juro cobrado no empréstimo. Por essa via, começa a ser notado o efeito da exigência de capital feita aos bancos, especialmente para operações de longo prazo. "A necessidade de maior capital para operar no crédito se reflete no spread porque eleva as despesas da operação", explica o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, ao comentar que a nova regra exige que bancos reservem mais capital para essas operações. Isso aumenta o custo, já que agora o banco precisa reservar mais dinheiro para emprestar o mesmo volume.

Esse aumento de custo do banco é repassado aos clientes por meio de uma alta no spread. Os dados do BC, porém, não permitem avaliar se a margem maior vai engordar os lucros dos bancos ou será usada integralmente para cobrir o encarecimento do empréstimo para o banco.

Entre as várias operações afetadas, o crédito pessoal apresentou forte aumento do spread. Nos nove primeiros dias de dezembro - apenas quatro úteis com as novas regras - a margem cobrada nessa operação subiu 0,8 ponto, para 30,9 pontos porcentuais. "Pode ser o início do efeito", diz Altamir. Essa elevação respondeu por boa parte da alta do juro cobrado na operação, que subiu 1,2 ponto em apenas nove dias, para 43,2% ao ano. Na média de todas as operações para pessoas físicas, o juro subiu para 39,2% em 9 de dezembro.

Prazos. A economista-chefe da Rosenberg & Associados, Thaís Zara, observa que será possível notar efeito em um terceiro aspecto: o prazo. "As medidas reduzem a capacidade de se emprestar com prazos mais longos porque exigem mais garantias. Isso vai gerar restrição." O possível achatamento de prazos acontece após o recorde histórico registrado em novembro, quando os empréstimos alcançaram os mais longos períodos da série: 551 dias nas operações para pessoas físicas e 395 dias para empresas.

A criação de condições para o aperto do crédito e aumento do juro acontece em um período de marcas favoráveis para o crédito. Em novembro, o juro médio dos empréstimos às pessoas físicas havia caído para 39,1%, o menor patamar desde o início da série histórica em julho de 1994, início do Plano Real.

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