Pacote dos EUA não ajuda muito os consumidores, dizem analistas

Ações de empresas de varejo caíram naquinta-feira nos EUA, diante da percepção de que o pacote de150 bilhões de dólares anunciado pelo governo para evitar umarecessão dará pouco alívio aos varejistas e consumidores. A Casa Branca e o Congresso chegaram a um acordo preliminarpara conceder uma restituição de impostos de 600 dólares aindivíduos sem dependentes, de até 1.200 dólares para casais, ede mais 300 dólares por filho. A presidente da Câmara dosDeputados, a democrata Nancy Pelosi, prometeu mais medidas seisso for necessário para estimular a economia. Com os consumidores às voltas com dívidas, preços dealimentos e combustível em elevação e sem poupanças, o pacoteproposto não bastaria para estimular os gastos com consumo,segundo Howard Davidowitz, presidente da consultoria de varejocom sede em Nova York Davidowitz & Associates Inc.. "Todos reconhecem que o estímulo não vai fazer nada deforma permanente. É só uma gota no balde", disse ele. "Quandovocê olha para alguém que não pôs nada numa casa e agora tempatrimônio negativo, você realmente acha que (o pacote) tratadessas questões?" As ações de companhias varejistas, enquanto isso, jáperderam parte dos ganhos obtidos com a decisão de terça-feirado Federal Reserve de cortar os juros em 0,75 ponto percentual. O índice Dow Jones de varejo dos EUA caiu 1,5 por cento,enquanto o Índice Standard & Poor do setor de varejo perdeu 1,2por cento. As ações da rede Wal-Mart Stores Inc fecharam em baixa de2,4 por cento. A Family Dollar Stores Inc caiu 5,4 por cento, aCircuit City Stores Inc teve perda de 1,4 por cento, e o TargetCorp caiu 2,7 por cento. Os gastos dos consumidores, que respondem por cerca de 70por cento do PIB dos EUA, foram prejudicados no último semestreà medida que a alta dos preços dos alimentos e combustíveis sesomaram aos problemas nos mercados financeiro e habitacional. O Congresso e o governo Bush têm negociado há dias umaforma de injetar dinheiro no bolso dos consumidores, de modo areduzir a desaceleração econômica que, na opinião de muitos,pode virar recessão. A Federação Nacional do Varejo divulgou nota elogiando oacordo, depois de pressionar o Executivo e o Legislativo aagirem. "A proposta apresentada hoje é um estímulo econômicosimples, com alvo, que irá colocar rapidamente dinheiro nobolso dos consumidores onde ele pode promover o crescimentoeconômico com a criação de demanda em todos os setores daeconomia", disse Steve Pfister, vice-presidente-sênior dafederação para relações governamentais. Mas, na opinião de Mark Coffelt, presidente da EmpiricFunds, de Austin, em vez de mandar cheques aos eleitores em anoeleitoral, o governo deveria voltar suas atenções para gastoscom infra-estrutura, pesquisa e desenvolvimento. "Isso aceleraria os gastos de capital", disse Coffelt, cujofundo possui títulos de curto prazo de varejistas. "Focar na infra-estrutura teria um efeito imediato e delongo prazo. Focar no consumidor... há teorias de que aspessoas não reagem a isso." Embora os temores de uma recessão nos EUA tenha levado aquedas generalizadas nos mercados mundiais nesta semana, asituação econômica não é assim tão ruim quanto dizem, paraGeorge Feldenkreis, executivo-chefe da Perry EllisInternational Inc. . Mas o pacote de estímulo não dará mais do que um empurrãotemporário nos gastos, segundo ele. "Não acho que 600 ou 800dólares farão grande diferença."

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