Pacote dos EUA traz três medidas protecionistas

O pacote de estímulo econômico que será assinado pelo presidente Barack Obama na semana que vem contém três medidas protecionistas: cláusulas "buy American" para aço, ferro e manufaturados; exigência de abastecer o Departamento de Segurança Nacional com uniformes fabricados no país; e restrições aos bancos socorridos pelo governo, que só poderão contratar estrangeiros com visto H-1B (mão de obra especializada).A lei determina que todo "ferro, aço e produtos manufaturados" usados em projetos do pacote sejam americanos. Mas ressalva que a regra "seja aplicada de maneira consistente com as obrigações dos EUA em acordos internacionais". Por isso, os EUA terão de abrir o pacote aos países signatários do Acordo de Compras Governamentais, como Canadá e União Europeia, e para o México, que é parte do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta). O Brasil não é signatário do acordo, então continua vetado - da mesma forma que Rússia, China e Índia.Mas a lei prevê algumas brechas para fornecedores estrangeiros, como os casos em que o produto "made in USA" for 25% mais caro que similares estrangeiros ou se não houver quantidade suficiente do produto nacional. O pacote também permite a cada agência que estiver fazendo as compras decidir se cabe abrir uma exceção e comprar de outro país."Entendo o problema do simbolismo do ?buy American? no pacote, mas, com todas as ressalvas que entraram, não acho que vá mudar o modo como os governos federal, estadual e municipal fazem compras", disse Kellie Meiman, diretora-gerente do McLarty Associates. SIDERURGIA DO BRASIL"Em relação ao setor siderúrgico, as empresas brasileiras já têm boa capacidade de produção nos EUA, a ponto de poderem se beneficiar do foco em infraestrutura do pacote", disse Kellie, referindo-se à Gerdau e CSN. O pacote determina também que os uniformes do Departamento de Segurança Nacional sejam fabricados nos EUA. Obama, que havia alertado para o caráter anticomércio da legislação, apoiou o texto final. "O presidente acha que chegaram a um acordo positivo e necessário" sobre a legislação, disse o porta-voz Robert Gibbs. Além disso, o presidente americano não pode vetar por linha ou artigo do projeto. "Obama teria de vetar o pacote todo para não aprovar o ?buy American?, o que é muito improvável, para não falar impossível", disse Diego Bonomo, diretor do Brazil Information Center, que representa empresas brasileiras nos EUA.

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