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Pacote europeu é só recessão

Nunca antes na história, a opinião dos prêmios Nobel de Economia foi tão unânime. A solução da União Europeia para enfrentar a crise do euro não resolve nada e vai provocar mais recessão. É um desastre, um suicídio, afirma Paul Krugman. Eles não entenderam nada, e essa solução só vai piorar as coisas e levam para mais recessão, acrescenta Joseph Stiglitz.

ALBERTO TAMER, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2011 | 03h08

A crítica mais acerba e definitiva veio ontem. "É uma catástrofe em espiral", declarou o Nobel Amarty Sen, em seminário na Índia. "Estão fazendo o melhor que podem para irem direto para a boca da serpente bem aberta."

Comentando essas manifestações, o principal economista do Financial Times, Martin Wolf, diz que o plano não é como dizem Merkel e Sarkozy, "uma união de crescimento e estabilidade", mas de estagnação e instabilidade. "Ficaram loucos", desabafa.

Plano de desastre. O maior alerta veio também ontem do professor de Harvard e da London School of Economics, Richard Freeman. "Os países emergentes precisam (não apenas devem) ter um plano de desastre no caso de as economias avançadas irem para a recessão", afirma ele. A China já está agindo mas não achou ainda o caminho certo para atenuar os efeitos do recuo das exportações. Voltou a aumentar a liquidez nos bancos, confia no mercado interno e tem reservas de US$ 3,2 trilhões, mas quase 30% são em euros.

Plano B aqui? No Brasil, parece que o Plano B virou Plano A. Começou de fato na crise de 2008, com o acúmulo de reservas cambiais para atender a turbulências externas, como a de hoje, aumento do compulsório, caixa do Tesouro. O plano foi ajustado às circunstâncias, e está sendo ajustado agora, mantendo sempre o princípio de cultivar a relativa independência do mercado externo. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou nesta semana que o risco de contágio financeiro à fragilidade dos bancos europeus é baixo. "Cerca de 80% das operações de crédito de bancos de origem estrangeira são realizados com recursos captados no próprio mercado brasileiro", afirmou. As fontes europeias representam pouco das captações totais do Sistema Financeiro Internacional. O Brasil sente a moderação do fluxo de capitais, mas os investimentos diretos têm sido superiores a US$ 5 bilhões por mês.

Os custos de captação externa aumentaram, há moderação na entrada de investimentos financeiros, mas para isso há o Plano B - de utilizar o BNDES, os bancos oficiais, os recursos existentes e até parte das reservas, se preciso, para financiar a produção e as exportações, como foi feito na crise financeira de 2008.

O que falta. Tendo em vista a crescente deterioração do cenário externo com a paralisia e a divisão europeia, os analistas afirmam que falta ainda intensificar as medidas de estimulo à demanda interna. Alguns incentivos já estão sendo aplicados, mas os indicadores de atividade econômica revelam estagnação.

Não há nada a esperar a não ser recessão na UE que só tende a se agravar e prolongar com as imposições da Alemanha. Mas não pode mudar?

Não, não, não! Em meio a esse clamor de alertas, com mercado financeiro rejeitando a proposta da UE, com os investidores saindo maciçamente dos títulos em euro e correndo para os papéis do Tesouro americano, e a economia afundando, só a Alemanha está tranquila. Angela Merkel reafirmou ontem para sua plateia interna, no Parlamento, que a Alemanha não aceita, veta total e radicalmente, qualquer aumento do Fundo de Estabilidade Europeu. Nem um euro além dos previstos 500 bilhões do Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira, a ser criado em março para rolar a dívida de 1,1 trilhão dos países da UE. Só a Itália, mais de 300 bilhões em 2012. Um não categórico e definitivo também para que o Banco Central Europeu aumente a compra de títulos europeus que estão vencendo.

O Brasil que se prepare ainda mais para enfrentar essa marcha da insensatez que domina a economia europeia agora germanizada. Insensatez, não. Loucura, afirmam os prêmios Nobels de economia. E haja paciência.

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