Pacote para a Espanha terá 'condições muito duras', diz Juncker

Na véspera de um leilão de bônus de dez anos do governo espanhol, presidente do Eurogrupo antevê dificuldades

BERLIM , O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2012 | 03h06

A zona do euro vai impor "condições muito duras" à Espanha em troca de qualquer pacote de socorro potencial, afirmou o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker. "Nós exigiremos condições muito duras à Espanha, mas não seria certo dizer à Espanha com antecedência, por meio da imprensa, o que esperamos deles", disse Juncker em entrevista ao canal de TV alemão Bayrischer Rundfunk.

O país enfrentará amanhã um importante teste da confiança do investidor, com um leilão de bônus de dez anos. O governo espanhol espera aproveitar a queda dos custos dos empréstimos desde que o Banco Central Europeu (BCE) detalhou os planos no início deste mês para compras de bônus de países da zona do euro em dificuldades, como a Espanha, submetidos a condições econômicas restritas.

Mas a intervenção do BCE depende de um pedido de ajuda da Espanha por meio do fundo de resgate da região - um passo que o governo espanhol parece relutante em tomar, particularmente se o retorno dos bônus ao investidor (yelds) continuar em níveis sustentáveis.

Porém, os investidores acreditam que a piora da recessão e pagamentos de dívida iminentes, incluindo cerca de 30 bilhões (US$ 39,110 bilhões) em outubro, forçarão a Espanha a buscar em breve um resgate completo.

Supervisão bancária. Juncker disse ainda que a União Europeia não deve se apressar em estabelecer uma supervisão bancária no âmbito europeu. "É verdade que estamos determinados em implementar uma união bancária, uma supervisão bancária, o mais rapidamente possível, mas é verdade também que devemos usar o tempo necessário para isso", declarou.

A proposta é polêmica e reduz o papel da autoridade bancária europeia, que foi criada no rastro da crise financeira global de 2008. O plano enfrenta oposição da Grã-Bretanha, que abriga o centro financeiro de Londres, onde grandes bancos da zona do euro têm grandes interesses.

Juncker disse, entretanto, que compartilha o ceticismo de Berlim de que um supervisor fiscal único seja capaz de monitorar todos os bancos da zona do euro. Em vez disso, a Alemanha quer que o BCE centre foco nos bancos "grandes demais para falir", cuja quebra poderia destruir o sistema. / DOW JONES NEWSWIRES

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