Pacote para aeroportos deve ser anunciado hoje

Governo vai usar os recursos das concessões de Galeão (RJ) e Confins (MG) para estimular a aviação regional Somente a categoria dos fundos multimercados foi responsável por captar R$ 3,32 bilhões até o dia 14 deste mês

JOÃO VILLAVERDE / BRASÍLIA , GABRIELA FORLIN , JOÃO VILLAVERDE / BRASÍLIA , GABRIELA FORLIN , O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2012 | 02h03

A presidente Dilma Rousseff deve anunciar hoje um amplo pacote de medidas para aprimorar a infraestrutura dos aeroportos no Brasil. Com a concessão de Galeão (RJ) e Confins (MG) para a iniciativa privada, o governo planeja utilizar os recursos da privatização para estimular fortemente companhias aéreas regionais, de forma a tornar mais competitivo o mercado nacional, hoje basicamente nas mãos de duas companhias: TAM e Gol.

A ideia do Planalto é utilizar o dinheiro que será arrecadado com a concessão dos terminais de Galeão e Confins - cerca de R$ 15 bilhões - para construir mais aeroportos regionais, de menor porte, além de oferecer subsídios nas passagens aéreas de moradores de locais mais afastados de grandes centros.

O governo deve ampliar a malha aeroportuária brasileira em mais de 70 novos terminais, levando o total para cerca de 800. Destinos turísticos devem ser contemplados com novos empreendimentos.

Na lista trabalhada ontem à noite no Palácio do Planalto, ganhariam terminais próprios cidades como Barreirinhas (MA), porta de entrada dos Lençóis Maranhenses; Ouro Preto (MG), o primeiro município brasileiro reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como patrimônio histórico e cultural da humanidade; e Gramado (RS), o maior polo turístico do Rio Grande do Sul.

Além dessas cidades, que contam com menos de 70 mil habitantes, municípios maiores, como Santos (SP), devem contar, a partir do ano que vem, com um projeto de aeroporto. A ideia é "amarrar" essas ações com os demais pacotes de infraestrutura anunciados ao longo de 2012 - concessões de rodovias, ferrovias e portos à iniciativa privada. Todos os projetos devem começar em 2013, e boa parte dessas obras deve estar pronta, deseja o governo, em cinco anos.

Critérios. A privatização dos terminais do Galeão, na zona norte do Rio de Janeiro (RJ), e de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), obedecerá aos mesmos critérios dos leilões realizados em fevereiro, quando Dilma concedeu à iniciativa privada os aeroportos de Guarulhos (SP), Campinas (SP), e Brasília (DF). Isto é, a atual controladora dos terminais, a estatal Infraero, ficará com 49% da nova sociedade.

Mas, desta vez, o governo vai exigir que apenas operadoras de aeroportos internacionais que movimentam pelo menos 35 milhões de passageiros por ano participem do leilão. Pelo Galeão passam cerca de 18 milhões de pessoas anualmente, enquanto por Confins circulam 10,5 milhões de pessoas por ano.

Na avaliação do governo, o impulso para novos terminais regionais e a privatização de grandes aeroportos deve permitir maior conforto aos passageiros, especialmente os da classe média.

"O Brasil ganhou milhões de novos passageiros nos últimos dez anos, enquanto o número de companhias diminuiu, e, ao mesmo tempo, a infraestrutura não acompanhou", disse, ontem, uma fonte da equipe econômica, que participou da formulação do pacote.

Os fundos de investimento apresentaram captação líquida de R$ 10,73 bilhões no acumulado de dezembro até a última sexta-feira (14), de acordo com dados preliminares computados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Uma das categorias que puxou o resultado foi a de multimercados, que investem em ações, dólar e derivativos, com ingresso de R$ 3,32 bilhões no período de referência, segundo a entidade.

No quesito retorno, dentre as modalidades existentes na família dos multimercados, o destaque foi o segmento multiestratégia - que pode adotar mais de uma estratégia de investimento, sem o compromisso declarado de se dedicar a uma em particular -, com rentabilidade de 0,98% nas duas primeiras semanas de dezembro.

A segunda maior captação foi apresentada pela categoria previdência, que registrou entrada líquida de R$ 3 bilhões. O destaque de rentabilidade foi a modalidade previdência ações, que rendeu 3,45% nas duas primeiras semanas de dezembro, de acordo com o levantamento d a Anbima.

Em seguida, vieram os fundos de Curto Prazo, com captação líquida de R$ 2,94 bilhões no período de referência. Conforme a Anbima, a rentabilidade desses fundos ficou em 0,27%.

Juro baixo. Os fundos DI, que aplicam apenas em papéis do governo, registraram resgate líquido de R$ 1,49 bilhão entre 1 e 14 de dezembro, refletindo uma continuação da busca dos investidores por ativos com maior rentabilidade em meio ao cenário de juros baixos - atualmente, a taxa básica de juros (Selic) está em 7,25% ao ano. O retorno foi de 0,27% no período, mesma variação do CDI.

Já a categoria de renda fixa, que investe principalmente em títulos públicos, registrou captação líquida de R$ 1,83 bilhão e ganho de 0,44%. A modalidade que entregou a maior rentabilidade foi a renda fixa índices, com alta de 2,67% nas duas primeiras semanas do mês.

Fundos de ações registraram ingresso líquido de R$ 498 milhões. A modalidade ações FMP - FGTS, que aplica os recursos em papéis de empresas que estão sendo privatizadas, entregou retorno de 8,54% enquanto a de ações setoriais teve rentabilidade de 4,10%. No mesmo período, o Ibovespa rendeu 3,71%.

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