Pacote para conter crédito e inflação é paradoxo, diz Jorge

'Espero dormir hoje e não acordar com nenhum pesadelo amanhã', diz ministro sobre rumores de pacote

Anne Warth, da Agência Estado,

16 de maio de 2008 | 18h04

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse nesta sexta-feira, 16, que a criação de um pacote de medidas fiscais e monetárias para conter a expansão do crédito e a inflação seria um paradoxo, pois ocorreria poucos dias após o lançamento da política industrial pelo governo. "Eu diria que seria no mínimo um paradoxo", afirmou, durante visita à 27.ª Feira Internacional da Mecânica, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo."Espero que sejam boatos e espero que eu possa dormir hoje e não acordar com nenhum pesadelo amanhã", acrescentou. Veja também:Entenda a crise dos alimentos Entenda os principais índices de inflação   Para o ministro, o crescimento do crédito, que atingiu 31,1% nos últimos 12 meses, não é motivo para preocupação. "Isso não significa muito, porque a base em que nós estávamos era muito pequena. Não havia crédito no Brasil há cinco anos", declarou. Miguel Jorge argumentou que o crédito precisa continuar a aumentar no País. "Em 2003, era proibido comprar um automóvel no Brasil em mais de 24 prestações. Você não conseguia comprar uma casa no Brasil em 2003. Hoje você compra uma casa em 10, 20 ou 30 anos, um automóvel em 48 ou 56 meses, como em qualquer país civilizado", frisou. "Se nós queremos ser um país civilizado, nós temos que chegar a ter crédito a 50% ou 60% do PIB. Temos que fazer chegar a 100%. Eu acho que o Brasil está preparado para isso", disse.  O ministro ressaltou que não há problemas de excesso de demanda no Brasil em nenhum segmento industrial. Nem mesmo no caso específico da indústria de máquinas e equipamentos, organizadora da feira, cujo consumo aparente teve alta de 40% no primeiro trimestre. "Não há na indústria nenhum setor com problemas de gargalo ou demanda, de não ter capacidade de ofertar", destacou. Miguel Jorge disse ainda preferir que alguns setores da indústria estejam com o nível de utilização da capacidade instalada em 84% do que 40%. "Milhares de vezes 84% de demanda do que 40%, que significa desemprego, atraso, subemprego, informalidade e clandestinidade. E eu não quero esse país para mim", sustentou. Além disso, o ministro disse que a diminuição do crédito não teria qualquer efeito sobre a inflação, já que grande parte dela está relacionada à alta dos fertilizantes, do petróleo e principalmente dos alimentos. "Se as medidas tiverem como objetivo conter a inflação, não acredito que irá resolver, porque ela não está na área industrial. Essa contenção da liquidez não atingirá quem está comprando comida, mas poderá atingir quem está investindo no País, e eu acho que isso poderia ser um problema sério", finalizou.

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