Pacto com províncias não convencerá FMI, dizem economistas

Se depender da opinião dos economistas argentinos ouvidos pela Agência Estado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) dificilmente aceitará o pacto fiscal assinado pelos governadores e o presidente Eduardo Duhalde, que visa reabrir as negociações para a concessão da ajuda financeira à Argentina.Para o economista Raúl Cuello, o acordo foi uma transação política para sair do impasse e ter algo para exibir. "Não pode ser entendido, de nenhuma forma, como uma mudança substancial do regime de co-participação, que é o coração dos problemas financeiros argentinos", disse.Cuello criticou a falta de uma lei que estabeleça um princípio de responsabilidade fiscal que possa evitar os gastos excessivos. "As províncias gastam muito além da conta e depois recorrem à União para resolver seus problemas de caixa", afirmou.Segundo o economista, o acordo foi somente um "remendo" no sistema de co-participação. "É uma solução transitória e formal para tentar abrir as negociações com o FMI. Mas com a administração republicana de (George W.) Bush e a linha dura de Anne Krueger, dificilmente o FMI continuará financiando a Argentina e seus planos sob bases débeis", afirmou.Para ele, o diagnóstico do país não mudou. Continua sendo o "setor político que não quer perder seus privilégios e exercita um diálogo de surdos porque cada um defende seus próprios interesses em detrimento do país".Outro analista econômico de um banco concorda com Raúl Cuello no sentido de que é preciso ter uma discussão e realizar mudanças mais profundas. Ele considera, no entanto, que o novo pacto fiscal "começa a percorrer o caminho correto", apesar de ser insuficiente para atender às exigências do momento e do FMI. A fonte disse que "pelo menos pode-se conversar; antes nem isso era possível". Mas, em sua opinião, falta "algo mais profundo, como a porcentagem da co-participação que é muito alta, além de que é preciso descentralizar a arrecadação".O analista disse que a transferência de recursos é desigual e as províncias que cumprem seu dever de casa, que "são bem administradas e sem déficit, como as de San Luis e La Pampa, acabam caindo no mesmo saco que as províncias endividadas e mal governadas".Segundo esta fonte, é essencial que cada província receba de acordo com seus esforços. Na sua avaliação, o FMI não aceitará este acordo para reiniciar as negociações.No mesmo sentido, o economista Hernán Hirst , da consultoria do economista Miguel Angel Broda, afirmou que o acordo é "débil". "Tem muitas promessas e nenhuma mudança de fundo". Ele também não acredita que o acordo contemple as exigências do FMI.Leia o especial

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