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Pacto fiscal foi chave em discurso de Dilma, diz acadêmico espanhol

Reforço no aperto dos gastos públicos anunciado pela presidente foi elegiado pelo intelectual Jorge Fonseca Castro

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

25 de junho de 2013 | 14h58

SANTANDER, ESPANHA - A proposta de um pacto pela preservação das contas fiscais no Brasil foi elogiada pelo professor de economia internacional da Universidade Complutense de Madri, Jorge Fonseca Castro, nesta terça-feira, 25.

"A chave do anúncio de ontem (segunda-feira, 24) foi a questão fiscal", disse o especialista em América Latina num debate sobre a situação brasileira transmitido pela televisão espanhola. "Melhorar a situação fiscal das contas públicas permite responder à questão social pedida pela população",

"O grande problema econômico da América Latina é o déficit fiscal. Se corrigirmos esse tema, é possível melhorar a situação do restante da economia e da sociedade", diz o professor, ao defender que contas públicas mais fortes permitem ao Estado investir melhor e, assim, elevar a qualidade dos serviços públicos.

Castro diz que os protestos que explodiram nas últimas semanas no Brasil são diretamente relacionados a essa falta de fôlego do Estado em prover serviços públicos de qualidade. "As demandas são por serviços públicos minimamente razoáveis. Isso mostra que o Brasil é poderoso econômico, mas um anão social. O Índice de Desenvolvimento Humano da Espanha é o 23º do mundo. A Argentina está em 45º e a Venezuela, em 70º. O Brasil está em 85º", disse. "Essa combinação de pobreza com alta desigualdade gera grande desconformidade na sociedade, exatamente como estamos vendo", disse.

Questionado sobre a capacidade do governo brasileiro em realizar os investimentos sugeridos pela presidente Dilma Rousseff - como os R$ 50 bilhões em projetos de mobilidade urbana -, o professor da Universidade Complutense de Madri negou qualquer preocupação.

"O governo brasileiro tem dinheiro. O País tem reservas internacionais, uma das maiores do mundo, e uma situação que lhe permite revisar alguns gastos. O problema é que estamos falando de uma prioridade imediata. Por isso, não sei como isso se encaixaria na atual situação com investimentos para o mundial de futebol e as Olimpíadas", disse. "Mas é inegável que o Brasil tem uma elevada capacidade de atrair investimentos estrangeiros. Por isso, descarto eventual dificuldade", diz.

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