Pacto pela educação capacitaria o País

Reinvenção do processo passa pela qualificação de engenheiros e técnicos com o setor produtivo

Jacques Marcovitch, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2010 | 00h00

A questão da mão de obra qualificada está na ordem do dia. Há exemplos concretos, em três níveis decisórios (ensino, empresas e governo), de que estamos deixando o campo da reflexão teórica e vislumbrando os caminhos da prática. Grandes empresas já discutem meios urgentes que tornem mais agressivas e eficazes suas estratégias de capacitação e retenção de profissionais qualificados. Circulam, no âmbito corporativo, as primeiras ações para uma oferta em larga escala de bolsas de estudo aos estudantes de carreiras tecnológicas, investimentos na formação de pós-graduados, e até o financiamento de escolas de engenharia e de centros de formação profissional, para melhorarem sua base laboratorial.

Do ensino superior espera-se, principalmente, que reduza a evasão e adote programas visando a dobrar o atual rendimento escolar de 20% para 40%, elevando assim de 30 mil para 60 mil o número daqueles que conseguem se formar nos cursos de engenharias. Do ensino médio, são propostas inéditas medidas para elevar a qualidade do ensino da matemática, da física e das ciências em geral.

No âmbito associativo, a Câmara Americana de Comércio de São Paulo dirige aos presidenciáveis um documento solicitando a inclusão nos respectivos programas de governo de medidas inovadoras. Por exemplo: a garantia de incentivos fiscais para as companhias que investirem na concessão de bolsas de estudo e uma proposta para desburocratizar a autorização de funcionamento de cursos de tecnologia.

A contribuição da área educativa nesse aspecto deve ganhar proporções jamais alcançadas. Urge um pacto nacional pela educação entre governo e iniciativa privada com o objetivo de revolucionar todas as políticas obsoletas e encurtar todos os prazos cogitados. Esse pacto deve incluir um programa de formação de docentes e quadros técnicos no exterior, em centros avançados de elevado desempenho em inovação tecnológica.

O sistema de ensino é uma força vital na tarefa de, capacitando a mão de obra, capacitar o Brasil. A reinvenção do nosso processo educativo passa, nessa quadra histórica, pela qualificação dos engenheiros e técnicos, em estreita colaboração com o setor produtivo. Eis a nova reforma imposta pela realidade em um país que começa a crescer acima de suas possibilidades em profissionais técnicos qualificados.

É PROFESSOR DA FEA E DO IRI DA USP

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