Estadão
Estadão

Padilha diz que governo não mudará proposta de Previdência se não tiver 308 votos

Principal modificação negociada agora é uma regra de transição para servidores que ingressaram no serviço público antes de 2003

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2018 | 21h15

BRASÍLIA - O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse nesta segunda-feira, 5, que o governo não tem motivos para enxugar ainda mais a proposta de reforma da Previdência se não tiver segurança de que conseguirá os 308 votos no plenário da Câmara dos Deputados para aprovar o texto.

"Estamos avaliando os custos. O presidente Michel Temer pediu para o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) fazer uma avaliação do impacto financeiro das alterações sugeridas, mas antes precisamos ver se teremos os 308 votos necessários. Se não, não tem por que fazer mudanças", argumentou Padilha.

A principal modificação negociada agora é uma regra de transição para  servidores que ingressaram no serviço público antes de 2003. Além disso, há também articulações para que seja fixado um limite maior do que dois salários mínimos para o acúmulo de aposentadorias e pensões.

++ 'É bom para o Brasil, é bom para você', diz campanha do governo pela Previdência

Em conversas reservadas, até mesmo integrantes do governo admitem poucas chances de aprovação da reforma da Previdência no próximo dia 20. Há, ainda, uma divergência entre aliados. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), só quer levar o tema ao plenário se tiver votos. No Palácio do Planalto, porém, o próprio presidente Michel Temer defende a votação a qualquer custo, mesmo sob risco de derrota.

"Teremos de convencer a todos de que a reforma da Previdência é intransferível", disse Padilha. "Isso não é em benefício do governo do presidente Michel Temer, porque as contas desse governo já estão em execução. Queremos que o cidadão aposentado continue recebendo o seu benefício, mas, se não houver essa reforma, certamente acontecerá aqui o que aconteceu na Grécia e em Portugal."

++ Parlamentares são recebidos com protesto contra reforma da Previdência em Brasília

Questionado sobre a proposta de Maia de criar um fundo de ativos para cobrir o rombo da Previdência nos Estados, o chefe da Casa Civil disse considerar a sugestão positiva. "Tudo o que vier para facilitar a vida dos governadores tem o apoio do presidente e do governo", argumentou Padilha. Após a reunião com governadores nesta segunda-feira, porém, Maia não deu detalhes sobre a proposta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.