Padrão no Brasil, nível III-A suporta até disparos de 9mm

Novas tecnologias, como o uso de aramida no lugar de aço, permitiram reduzir peso da blindagem sem comprometer proteção

O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2014 | 03h02

A tecnologia não para de avançar e a utilização de aço balístico nas blindagens está, cada vez mais, perdendo espaço para a aramida. A maior vantagem do polímero (material muito resistente composto por macromoléculas) é o peso reduzido, que se traduz em menor desgaste de pneus e componentes da suspensão, por exemplo, que são muito exigidos nos carros protegidos apenas com metal. Outra boa notícia é que não há comprometimento da dirigibilidade e, ao mesmo tempo, ocorre redução do consumo de combustível e, consequentemente, das emissões de poluentes.

As blindagens mais modernas acrescentam aproximadamente 200 quilos ao peso do carro e protegem dez vezes mais que a utilizada em um Cadillac 1928 que pertenceu a Al Capone. O modelo usado pelo gângster americano e leiloado recentemente tem mais 1.300 quilos de aço balístico.

Além da larga utilização de aramida, os sistemas mais modernos incluem vidros até 20% mais leves que os blindados convencionais - é também uma espécie de sanduíche, com lâminas de vidro e resina. "Acabamos de lançar a blindagem Premium, com a qual conseguimos reduzir o peso em até 30%, ou 80 quilos, sem comprometer a proteção", diz Rafael Barbero, da empresa Avallon.

Ele se refere à blindagem de nível IIIA, que virou padrão no Brasil e é a de maior grau de proteção disponível para uso civil. É capaz de suportar disparos de armas como a Magnum 357, 9mm (pistolas e submetralhadoras), espingardas calibre 12 e Magnum .44 (confira a tabela balística ao lado).

Segundo Barbero, as mantas não têm emendas, não formam pontos vulneráveis e revestem mais de 90% da carroceria do veículo. Pontos mais críticos, como colunas dianteiras e centrais, são blindadas com aço balístico. "A blindagem premium parte de cerca de R$ 52 mil, dependendo do carro."

A DuPont, gigante americana da área química, também aposta na aramida para blindagem veicular. A empresa, que fabrica o produto e o oferece com o nome comercial de Kevlar, tem o Armura, sistema que utiliza apenas o polímero na proteção do carro. Seu maior apelo é o preço - a partir de R$ 21.950 para o Agile, hatch da Chevrolet que acaba de sair de linha.

Tendo o peso de aproximadamente 90 quilos como uma de suas vantagens, o Armura oferece proteção nível 1. De acordo com ensaios de balística, suporta apenas disparos de armas como revólveres de calibre 22 e 38, por exemplo. A Du Pont utiliza dados do relatório da CPI das Armas, de 2006, que apurou que a maior parte do armamento recolhido no País é leve, para justificar a opção pelo nível 1.

Há ainda a blindagem III, mas seu uso requer autorização prévia do Exército. Resistente até a disparos de metralhadoras M60, cuja munição é calibre .30, a nível IV é restrita às Forças Armadas e para uso por chefes de Estado no País. / T.O. E C.S.

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