Pagamento de Libra consumirá 10% do caixa da Petrobrás

Disponibilidade de caixa da empresa caiu de R$ 72,7 bilhões ao fim do segundo trimestre para R$ 57,8 bilhões

MARIANA DURÃO, MÔNICA CIARELLI / RIO , O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2013 | 02h14

O último balanço da Petrobrás indica que a companhia terá um desafio ainda maior para equacionar suas finanças nos próximos meses. A disponibilidade de caixa da empresa despencou de R$ 72,7 bilhões ao fim do segundo trimestre para R$ 57,8 bilhões no resultado divulgado na sexta-feira. Levando em conta esse montante, só o pagamento de bônus de R$ 6 bilhões pelo campo de Libra consumiria cerca de 10% dos recursos da petroleira. O pagamento do bônus é mais um fator de pressão que se soma à defasagem nos preços dos combustíveis, ao pesado plano de investimentos e à maior alavancagem da empresa.

"Esses números mostram que a Petrobrás terá muita dificuldade de fechar suas contas no ano que vem. O resultado ruim complica novas captações. Sem falar que 2014 é um ano eleitoral e a empresa não terá aval do governo para aumentar o preço da gasolina", prevê Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura.

No terceiro trimestre, o endividamento da Petrobrás cresceu em relação a seu patrimônio líquido (alavancagem), ficando em 36%. O porcentual extrapola o limite de 35% estabelecido como aceitável pela diretoria e, junto com a rápida deterioração do caixa, pode pesar negativamente na avaliação das agências de classificação de risco. No início de outubro, a Moody's chegou a rebaixar a nota da dívida da Petrobrás, ainda classificada como grau de investimento, mas com perspectiva negativa. Já o Bank of America Merrill Lynch classificou a companhia como a mais endividada do mundo, excluindo empresas do universo financeiro. Um novo rebaixamento da nota de crédito da companhia teria como efeito o encarecimento de novas captações. Por outro lado, a empresa assumiu compromissos de investimento ao ficar com 40% do consórcio que venceu o leilão de Libra, fora o pesado plano de investimento, que prevê um desembolso de US$ 236,5 bilhões até 2017.

Na semana passada, a presidente da estatal, Graça Foster, afirmou que o caixa vai "muito bem" e que será possível pagar os R$ 6 bilhões de bônus de assinatura - sua parte no total de R$ 15 bilhões - de Libra sem aportes do Tesouro Nacional. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também descartou a ajuda do Tesouro à estatal para honrar o bônus. A rápida deterioração do caixa do segundo para o terceiro trimestre, entretanto, acende o sinal amarelo./COLABOROU ANDRÉ MAGNABOSCO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.