Pagamento móvel começa a movimentar mercado no País

Depois de regulação do BC, Banco do Brasil é o primeiro a oferecer possibilidade de transferência via SMS

MURILO RODRIGUES ALVES , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2013 | 02h11

A diarista Ana Paula da Silva combinou com a patroa Andressa Tesserolli em receber uma vez por mês para ter controle das contas. Todo mês, porém, Andressa se esquecia de sacar o dinheiro para fazer o pagamento das faxinas. Na última vez, quando Ana Paula ligou para cobrar as diárias do mês, a patroa, que não se lembrou de deixar o dinheiro em casa, disse que faria a transferência naquele momento. Ana Paula não entendeu, já que não nunca teve conta em banco.

Com o número do CPF e do celular da empregada, Andressa abriu para ela, usando o internet banking, uma conta de pagamento no Banco do Brasil. No mesmo momento, a diarista recebeu as instruções, via mensagens pelo celular, para sacar o dinheiro em um terminal de autoatendimento perto da casa da patroa.

Ana Paula foi uma das primeiras a ter esse tipo de conta simplificada, regulamentada essa semana pelo Banco Central. O instituto Data Popular estima que quase 40% da população adulta do País não tem conta em banco. Segundo a pesquisa, essas 55 milhões de pessoas que estão fora do sistema financeiro terão movimentado ao longo deste ano R$ 665 bilhões.

A bancária Lilian Pascoal também fez uma dessas contas para a empregada Helena Cristina da Silva. Agora, ela nem precisa deixar o dinheiro para o pão, transfere do trabalho mesmo, e Helena passa antes no banco para depois ir à padaria. Helena, por sua vez, achou mais seguro não precisar circular pelas ruas com o salário do mês.

Para conquistar os não bancarizados, estratégia do BB é usar sua base de mais de 36 milhões de clientes pessoas físicas. Qualquer correntista pode abrir esse tipo de conta, cujos depósitos não podem ultrapassar R$ 1,5 mil por mês, para fazer um dos vários pagamentos a prestadores de serviços, como os empregados domésticos. Os titulares das contas de pagamento também recebem um cartão pré-pago para ser usado na função débito.

O maior banco público brasileiro foi a primeira instituição financeira a oferecer esse novo produto, independentemente de qual a operadora seu novo cliente tenha relacionamento. Antes, existiam acordos entre bancos e operadoras para o fornecimento de cartões pré-pagos, mas não respeitavam o princípio da operabilidade, exigência que o BC impôs para que o sistema dos bancos se comuniquem com todas as operadoras.

O BB testou por seis meses a nova conta de pagamento, para conseguir sair na frente. A equipe técnica selecionou alguns dos 2,6 milhões de clientes que faziam muitas transações com os cartões de crédito e débito, mas continuavam a sacar grandes quantias nos terminais de autoatendimento. Eles responderam que precisavam de dinheiro em espécie para fazer pagamentos a outras pessoas que não tinham conta em banco.

O Estado procurou os outros quatro maiores bancos do País. Entre eles, apenas o Bradesco tinha uma experiência piloto, com a Claro, que também não atendia o princípio da interoperabilidade. Itaú Unibanco, Caixa e Santander informaram que ainda estudam a entrada no mercado criado pela novas regras do BC.

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