Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Pagamentos de Pepro de milho de 2013 foram feitos a apenas 32% dos contratos

Segundo representantes do setor, os atrasos nos pagamentos colaboram para desestimular o plantio de milho nas próximas safras

REUTERS

21 de julho de 2014 | 12h52

Quase 70 por cento dos produtores de milho do Brasil que deram entrada nos documentos para receber subvenções de sustentação ao preço do cereal (Pepro), contratadas ainda em 2013, não receberam os recursos até o momento, apontaram dados do governo neste segunda-feira.

Segundo representantes do setor, que enfrenta novamente este ano um excedente de oferta e preços baixos, os atrasos nos pagamentos afetam o fluxo de caixa dos agricultores e colaboram para desestimular o plantio de milho nas próximas safras.

Milhares de agricultores arremataram contratos de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) durante o ano passado, em meio a uma baixa nos preços do produto.

Por meio dos Pepros, o governo se compromete a pagar para o produtor a diferença entre o valor obtido na venda ao mercado e o preço mínimo oficial.

Em 2013, agricultores contrataram Pepro para 8,86 milhões de toneladas de milho, com expectativa de pagamentos totais de 449 milhões de reais em subvenções, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Quase 97 por cento dos recursos foram destinados a agricultores de Mato Grosso.

A companhia informou à Reuters que, dos processos protocolados até o momento, 32 por cento foram pagos até a noite da última sexta-feira. Se forem somados os processos pagos e os que estão aprovados (prontos para pagamento), esse volume chega a 49,75 por cento.

A Conab disse, por meio da assessoria de imprensa, que não considera que haja atraso nos pagamentos, porque um grupo de trabalho interno do governo estabeleceu o prazo de 1º de outubro para que todos os processos estejam quitados.

A "cartilha do Pepro", publicada no site da Conab, diz que o produtor receberá o prêmio "no prazo de 10 dias úteis após a apresentação completa e correta dos documentos comprovando a colocação do produto na região de destino".

Em entrevista à Reuters no dia 11 de julho, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Seneri Paludo, disse que estavam sendo pagos naquele momento os processos que deram entrada em março.

A Conab acrescentou que o fato de um processo estar protocolado não significa que sua documentação esteja em ordem. Em caso de irregularidade, os papéis retornam ao agricultor, o que atrasa a conclusão das liberações.

Até a semana passada, dos cerca de 5.800 contratos de Pepro de milho firmados em 2013, pouco mais de 5 mil documentos haviam dado entrada na Conab. A entidade afirmou que os agricultores que não enviaram documentos até agora perderam os prazos e não terão mais direito a receber os prêmios.

Entidades de produtores consideram que há atrasos nos pagamentos, que para eles não eram comuns anteriormente, e destacam um maior rigor por parte da Conab na análise dos documentos.

(Por Gustavo Bonato)

Tudo o que sabemos sobre:
COMMODSMILHOPEPRO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.