Pagar prestação do empréstimo deve ser prioridade do orçamento

O que é mais interessante: pagar empréstimo ou manter aplicação?

, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2010 | 00h00

Não é necessário fazer contas, pague o empréstimo. O denominado spread bancário (diferença entre o custo de captação e a taxa de empréstimos) no Brasil é muito alto, principalmente para pessoas físicas. Neste ano o spread bancário para pessoas físicas está em torno de 30%. Em outros termos, você não conseguirá obter em aplicação alguma uma rentabilidade maior do que a taxa de juros paga em seus empréstimos. Uma dica: o importante é você manter um controle orçamentário rígido de suas finanças para poder pagar em dias suas dívidas e, além disso, ter alguma capacidade de poupança. Caso você possa deixar de pagar juros tome essa opção e quando você estiver livre de dívidas, antes de gastar, guarde dinheiro para poder consumir com prazer, estar preparado para uma emergência ou até mesmo prevendo a sua aposentadoria.

Tenho ações do Fundo Mútuo de Privatização (FIP) II da Petrobrás. Devo vendê-las ou aguardar?

Investir em renda fixa sempre deve ser na perspectiva de longo prazo. A decisão de venda ou manutenção de ações depende da estratégia de investimento adotada e da necessidade (ou não) de dinheiro no curto prazo. Os FIP da Petrobrás foram autorizados a partir de julho de 2000. Segundo simulação da Caixa Econômica, o rendimento do Petrobrás II desde agosto de 2000 até o fim de julho deste ano atingiu 850,22%, já descontados os custos, mas não os tributos. Sem dúvida é um bom rendimento para esse período. A pergunta do leitor ocorre devido à queda de preços das ações da Petrobrás no acumulado deste ano (queda superior a 27%). A Petrobrás ainda enfrentará alguns dissabores no curto prazo por conta da capitalização que está complicada e não há certeza sequer se ocorrerá ainda neste ano. Mas a empresa sempre foi sólida e tem boas perspectivas no longo prazo com a exploração do pré-sal. A dica para o investidor em carteira de ações, quando há um forte movimento de queda no curto prazo, é respirar fundo e mirar no longo prazo. Agir na emoção pode levar a perdas maiores.

Em 2007, apliquei pouco mais

R$ 20 mil em um fundo de ações. Hoje, o saldo é pouco mais de R$ 24 mil. Estou pensando em sacar tudo para aplicar em renda fixa. Vale a pena?

Em tese qualquer investimento é bom, afinal significa que você está mantendo uma poupança. A escolha do tipo de investimento depende de seus objetivos financeiros e de seu perfil como investidor. Sempre é uma decisão em relação ao equilíbrio risco e retorno oferecido pelo investimento. Caso essa aplicação seja sua única poupança e a sua perspectiva seja de mais curto prazo, você deve optar por algo de menor grau de risco. Nesse caso, a renda fixa é uma boa opção. Por outro lado, caso o seu objetivo seja de longo prazo e você mantenha outros tipos de aplicação, a manutenção do fundo de ações pode trazer bons ganhos, mas é algo de maior risco. A título de comparação e sem consideração de taxas de administração e outros custos, a rentabilidade do Ibovespa entre julho de 2007 e o final de julho de 2010 ficou em torno de 22%, sendo que em 2010 a queda acumulada gira em torno de 9%.

O Brasil pode se transformar em um país de poupadores? Nossos níveis de poupança são muito baixos, como incentivar as pessoas e famílias a pouparem?

A poupança depende de três fatores: capacidade, desejo e oportunidade. Capacidade pode ser traduzida como a renda das pessoas, quanto maior a renda maior será a possibilidade de poupança da população. Desejo é a propensão a poupança, há povos, como o japonês, com grande propensão a guardar dinheiro. Oportunidade refere-se à existência de múltiplas opções para as pessoas pouparem, a possibilidade de investirmos em diversos tipos de renda fixa e renda variável, com graus diferentes de valores e facilitação no momento de realização do investimento. Oportunidade de poupança o nosso mercado tem, há ofertas de produtos financeiros de todos os tipos e cada dia aparece mais. O brasileiro nunca teve renda suficiente para dedicar a poupança, mas com o aumento da renda média há tendência de termos maior capacidade de poupar. Por outro lado, com a emergência da nova classe média brasileira com necessidades históricas e o apelo ao consumo não há mostras que tenhamos grande propensão a guardar dinheiro. Para que consigamos incentivar as pessoas na direção da poupança devemos prepará-las para a prática do consumo consciente, a organização de suas finanças, mostrarmos a virtude do planejamento financeiro e dos ganhos gerados pela poupança, enfim aumentarmos o grau de conhecimento sobre investimentos de nosso povo, assim não tenho dúvida de que teremos um país muito melhor.

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