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O novo presidente da Petrobrás, Pedro Parente, foi feliz ao redefinir os principais objetivos da empresa

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

02 Junho 2016 | 21h00

No seu pronunciamento de posse, o novo presidente da Petrobrás, Pedro Parente, foi feliz ao redefinir os principais objetivos da empresa.

Ela não estará mais aí para desempenhar funções sociais ou executar determinadas políticas industriais predatórias, mas para servir ao interesse público e apresentar resultados. Seu objetivo mais importante é recompor seu caixa e dar sustentabilidade à sua dívida, ao mesmo tempo, garantir a mais rápida exploração do pré-sal.

Nos últimos 13 anos a Petrobrás não só foi depredada “por uma quadrilha”, termo usado por Parente, mas também foi desviada dos seus objetivos para atender a interesses partidários e ideológicos. O resultado é o descalabro do qual todos já tomaram conhecimento; uma empresa em situação pré-falimentar.

O principal mérito da administração Bendine não foi ter começado o processo de saneamento, embora isso também tenha sido importante, mas foi iniciar novo padrão de governança.

A Petrobrás era uma casa da mãe joana, destituída de alçadas de decisão. Como mantinha departamentos estanques governados por sátrapas acionados por interesses próprios, um diretor não tomava conhecimento do que fazia o outro, a presidência ficava instalada nas nuvens e os desastres administrativos se sucederam. Entre eles, os da construção de megarrefinarias definidas por critérios políticos, mas economicamente inviáveis, a disparada da dívida para a altura dos R$ 500 bilhões e a sujeição de seu patrimônio a vulnerabilidades de todo tipo. Bendine começou a mudar essas coisas.

A Petrobrás foi também vítima de políticas equivocadas para toda a área de petróleo e gás. Seus produtos foram usados para executar práticas predatórias de preços e seus projetos cerceados por exigências que supostamente deveriam financiar a criação de certos setores industriais, mas que também corroeram sua rentabilidade.

O marco regulatório do pré-sal fez exigências asfixiantes, que não atenderam nem aos interesses da empresa nem aos do País. Determinou que a Petrobrás fosse a única operadora e devesse participar de pelo menos 30% dos investimentos. Com isso, os leilões de concessão foram quase paralisados e o aumento da produção de petróleo, estancado.

Essa política é responsável por parte da derrocada da Petrobrás e, também, em boa proporção, pela quebra das finanças de Estados e municípios, que perderam receitas com royalties. O Rio é exemplo disso.

Não bastasse isso, o desastre foi ainda maior a partir de 2014, quando os preços do barril do petróleo despencaram da altura dos US$ 100 para US$ 50, onde ainda se encontram.

O novo presidente Pedro Parente promete colocar essas coisas no devido lugar. Mas nem tudo depende dele. Depende, por exemplo, da revisão do marco regulatório do pré-sal e da disposição do governo de renegociar com a necessária rapidez as grandes pendências, como os contratos de cessão onerosa e de unitização dos campos de óleo. E isso é com o governo, este e os que vierem depois dele.

CONFIRA:

Aí está a evolução da produção da indústria nos últimos 12 meses.

Surpresa

Ninguém ou talvez pouca gente esperava esse segundo sinal consecutivo de crescimento industrial depois de tanto tempo: 0,1% em abril em relação a março. Alguns analistas esperavam um recuo de até 1,5%. É cedo para afirmar que a recuperação começou, mas é mais um desses indícios que ajudam a pensar assim. A queda acumulada em 12 meses é de 9,6% e isso define, por si só, um arrasto negativo para o futuro de alguma coisa em torno de 7,5% ao ano.

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