Paim se prepara para mudar de cara

Rua conhecida por imóveis degradados tem ao menos seis empreendimentos no forno. Metro quadrado chega a R$ 7 mil

Jennifer Gonzales, de O Estado de S. Paulo,

24 de janeiro de 2011 | 12h04

De cortiços e casas em estado precário a empreendimentos residenciais com plena infraestrutura no condomínio – incluindo sala de cinema, piscina, lavanderia e academia de ginástica. Até pouco tempo atrás, a Rua Paim, localizada entre a Rua Frei Caneca e a Avenida 9 de Julho, na região central, foi sinônimo de depreciação imobiliária. Essa realidade, no entanto, começa a ganhar novas feições.

Nos últimos anos, no mínimo cinco incorporadoras aterrissaram na pequena Paim, assim como na Frei Caneca, uma de suas travessas. O movimento faz parte do aquecimento imobiliário desse trecho da cidade, que teve início com a inauguração do Shopping Frei Caneca, em 2001.

Há seis anos, a Requadra adquiriu seu primeiro terreno na Rua Paim, quando era formada exclusivamente por construções caindo aos pedaços. Não que o endereço tenha mudado muito até agora, com suas casinhas simples, cortiços e bares populares, mas atualmente há seis terrenos limpos no local, cujos imóveis foram demolidos pelas incorporadoras proprietárias.

Central

"A área é muito bem localizada, próxima a avenidas como 9 de Julho e Paulista", diz o diretor para Novos Negócios da Requadra, Luciano Radünz. A empresa possui, em apenas um quarteirão da Paim, três lotes, cujas áreas vão de 1,7 mil a 2,2 mil metros quadrados.

O primeiro terreno, quase na esquina com a Frei Caneca, irá adicionar a área de mais duas casinhas prestes a serem demolidas e ganhará lançamento imobiliário em julho de 2012. Em fase mais adiantada, o segundo lote tem uma construção em pleno curso, cuja conclusão está prevista para novembro de 2012.

"No local, ficava uma fábrica desativada havia décadas", conta Radünz. Em seu lugar, o empreendimento terá 256 unidades de um e dois dormitórios, com 36 e 50 metros quadrados, respectivamente. Quando foi lançado, em novembro de 2009, o valor do m² era de R$ 4,7 mil. "Todas as unidades foram vendidas em duas horas", assegura o diretor da Requadra.

Desde então, o preço aumentou mais de 30%. Lançado em dezembro, o empreendimento de 176 unidades, situado no terceiro terreno da incorporadora (em parceria com a You, Inc.) na Paim, está sendo vendido a R$ 7 mil o m². "Os quatro apartamentos dúplex de 70 m² já foram comercializados, e agora temos só 20% do total das unidades à venda", afirma Radünz.

As quatro metragens distintas dos apartamentos – 36, 50, 55 e 70 m² – revelam o tamanho exíguo dos imóveis. "Nosso público alvo nesses empreendimentos são solteiros, recém-casados, idosos e descasados", informa o executivo. "Embora não sejam imóveis de alto padrão no sentido de metragem generosa, as unidades dispõem de infraestrutura moderna, como cozinha gourmet e piscina na cobertura, além de sala de cinema, lavanderia e business center com pontos para internet."

Vagas de garagem

"Grande parte dos nossos clientes são médicos que trabalham em hospitais próximos. Assim, eles não precisarão se deslocar todos os dias de casa para o trabalho, perder tempo no trânsito e para achar uma vaga de estacionamento", completa Radünz. Cada apartamento terá uma vaga de garagem, assim como o edifício em construção, o que significa, somente no caso da Requadra, um acréscimo de potenciais 432 automóveis na Paim.

As 178 unidades do edifício a ser construído no terreno situado na mesma rua, pertencente às incorporadoras AAM e Toledo Ferrari, também terão uma vaga cada. Com lançamento marcado para março, o empreendimento contará com apartamentos estúdio (sem divisões internas) e de um dormitório, de 32 e 46 m² de área útil, respectivamente. O terreno também é pequeno, possui 1.595 m².

"O local era ocupado por cortiços e imóveis degradados", lembra o executivo responsável pela área de desenvolvimento de produto da AAM, Sergio Ribera. Ele diz que o valor das unidades ainda não foi definido.

A dois quarteirões da Paim, em frente ao Shopping Frei Caneca, dois empreendimentos de 28 andares (um residencial, com três edifícios, e outro comercial) estão quase prontos. Ambos os projetos são uma parceria da AAM, Trisul e Toledo Ferraz, e terão 108 unidades cada. "No terreno de 8.150 m² havia uma concessionária de automóveis da família do ex-piloto Ayrton Senna", diz Ribera.

Se o metro quadrado do empreendimento valia R$ 3,5 mil quando foi lançado, em setembro de 2007, atualmente vale R$ 9,5 mil. "Isso se o proprietário quiser fazer uma venda rápida", opina. Segundo ele, todos as 324 unidades foram vendidas. Os apartamentos têm 150 m² e dispõem de duas ou três vagas de garagem, em um total de 686.

"É mais barato revitalizar uma área do centro que levar infraestrutura urbana a áreas mais distantes", avalia Radünz, da Requadra. "Esse é outro motivo pelo qual investimos na região."

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