País aceitou mudança porque não fere contrato, diz Rondeau

O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, afirmou, em entrevista coletiva, no Palácio do Planalto, que a mudança no critério de cálculo do preço do gás boliviano vendido ao Brasil "será um aditivo ao contrato" existente entre os dois países. Segundo o ministro, a mudança, que foi sugerida pelos bolivianos, foi aceita pelo Brasil porque não fere o contrato.Rondeau explicou que o Brasil concordou em pagar a preço do mercado internacional os componentes de maior poder calorífico que são transportados junto com o metano da Bolívia para o Brasil. Segundo um alto funcionário do ministério, o acerto feito agora implica uma espécie de reajuste embutido no preço do gás, uma vez que será considerado adicional o valor energético que supere 8.900 Kcal por metro cúbico do gás. Pelo contrato, a Bolívia tem de enviar ao Brasil 9.200 Kcal por metro cúbico, o que significa que, a cada metro cúbico importado, o País receberá 300 Kcal adicionais. Pelo novo acerto, o cálculo do preço, a partir de agora, levará em conta o adicional calorífico gerado por componentes nobres do gás, como etano, butano, propano e gasolina natural. Desembolso adicionalDe acordo com Rondeau, não há, ainda, um cálculo do quanto essa mudança significará em termos do valor que a Petrobras desembolsará a mais. "Vamos ter de medir no dia-a-dia, mas a Petrobras acha que pode pagar mais, porque esses produtos têm um valor maior", afirmou o ministro. "Essa mudança deve gerar receita adicional para a Bolívia", disse Rondeau. Ele acrescentou que a equipe técnica da Petrobras deverá realizar nos próximos dias os primeiros cálculos do impacto que a mudança no cálculo do preço do gás importado terá nas despesas da estatal. Em princípio, segundo o ministro, haverá um aumento no desembolso da Petrobrás de 3% a 4%. Segundo ele, o valor que o Brasil pagará pelo gás boliviano pode variar para mais ou para menos. A observação do ministro foi em razão da declaração do ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas, de que o acordo para o preço do gás boliviano vai permitir que o Brasil pague um adicional de US$ 100 milhões por ano. "Pode ser mais ou pode ser menos que isso. O que importa é que temos uma forma de calcular. Definir US$ 100 milhões em cima de US$ 1,2 bilhão não é isso", afirmou.Matéria alterada às 13h para acréscimo de informações

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