País ainda é lanterninha dos BRICs

Brasil está em último lugar porque não tem plano de desenvolvimento, diz Alex Agostini, da Austin Rating

Andrea Vialli e Adriana Fernandes, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2007 | 00h00

Apesar da forte aceleração, o crescimento de 5,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no terceiro trimestre deste ano ficou aquém do desempenho de China (11,5%), Índia (8,9%) e Rússia (7,6%), em relação ao mesmo período de 2006. "As razões para isso já são bastante conhecidas", diz Alex Agostini, economista-chefe da consultoria Austin Rating. Segundo ele, o País é o último entre os BRICs (grupo das maiores economias emergentes) por não ter um plano de desenvolvimento a longo prazo."O que temos no governo atual é um plano de estabilização da economia, e não de desenvolvimento do País. Fatores conhecidos como a alta carga tributária, o excesso de burocracia e uma taxa básica de juros de dois dígitos fazem com que o Brasil não deslanche como os outros emergentes", diz Agostini. O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) não passa de uma "peça publicitária", segundo o economista. "É muito mais um discurso político. Me parece que desde Juscelino Kubitschek não temos um plano de desenvolvimento consistente." Na época, o País chegou a crescer 10% ao ano.Mesmo assim, de 2000 até outubro deste ano o volume de crédito no País cresceu 200% e atualmente representa 34% do PIB. Mas é inferior ao da Índia (40% do PIB) e da China (140% do PIB). CPMFO crescimento de 5,2% do PIB em 12 meses até o terceiro trimestre não surpreendeu um grupo de três economistas do Ministério da Fazenda. Há dois meses, eles divulgaram estudo feito com base na arrecadação da CPMF, que apontava esse mesmo valor para o crescimento do PIB no período. O resultado do levantamento foi divulgado pelo Estado. Ao fazer o estudo, os economistas queriam comprovar uma tese: a CPMF tinha se tornado o melhor termômetro para prever o crescimento econômico do País. "O resultado mostrou que a CPMF é um importante indicador coincidente do PIB", diz Marcelo Fiche, assessor especial do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e um dos autores do estudo, ao lado de Waldery Rodrigues Júnior e Bruno Zanotto Vigna, técnicos da Secretaria de Política Econômica.Segundo Fiche, a CPMF é útil para prever o PIB porque é um tributo universal - que alcança todos os contribuintes de economia formal e informal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.