País ainda tem muito espaço para ampliar as reservas, diz Meirelles

Total chega a US$ 205,4 bilhões e já supera o nível de agosto de 2008

Fábio Graner, Célia Froufe e Fernando Nakagawa, O Estadao de S.Paulo

04 de junho de 2009 | 00h00

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, voltou a resistir ontem às pressões por maior controle da taxa de câmbio, mas disse que o Brasil ainda tem muito espaço para ampliar as reservas internacionais, o que indiretamente contribuiria para evitar maiores quedas do dólar ante o real. "Estamos em pleno processo de acumulação de reservas e há espaço bastante confortável para ampliá-las", afirmou, durante audiência pública na Câmara. Segundo ele, o volume adequado de reservas do País é maior do que o que se previa antes da crise. Em 1º de junho, as reservas atingiram US$ 205,4 bilhões, pouco mais que o pico de agosto de 2008, de US$ 205,1 bilhões. Ou seja, ao contrário da Rússia e outros países, o Brasil atravessou a crise sem perder divisas. "Uma das razões para o País ter obtido o grau de investimento foram as reservas." O BC tem conseguido preservar as reservas com base em um volume elevado de compra de dólares. Ontem, o BC informou que adquiriu US$ 2,748 bilhões entre 8 de maio, quando voltou a atuar no mercado, e o dia 27. O volume é quase três vezes maior que o ingresso líquido da moeda americana no País nesse mesmo período. Entre os dias 8 e 27, o fluxo cambial registrou entradas de US$ 982,45 milhões. Ou seja, as compras do BC ajudaram a reduzir a liquidez do mercado de câmbio, embora não tenham impedido que as cotações do dólar continuassem em queda. Meirelles foi questionado por sucessivos deputados sobre os efeitos da desvalorização do dólar nas exportações, sobre a invasão dos produtos chineses e o ritmo de queda da taxa de juros, mas não deu o braço a torcer em nenhum momento. "Respeitamos as propostas de mudança no regime cambial, mas há custos enormes para defender uma cotação cambial e atender a determinados setores da economia", disse, em referência às experiências anteriores de controle da taxa de câmbio, como na Argentina e no próprio Brasil. Ele rejeitou a proposta de reduzir a taxa de juros para conter a valorização do câmbio, pois significaria abandonar o regime de metas de inflação e o câmbio flutuante. "O mundo está mais volátil e o excesso de volatilidade não é bom para qualquer mercado, mas temos de ter cuidado para não substituir a volatilidade do câmbio por volatilidade de juros, crescimento ou inflação." Meirelles defendeu o BC na definição da taxa Selic, destacando que, até o agravamento da crise, a demanda interna estava crescendo fortemente e nos últimos anos a inflação somente uma vez ficou abaixo do centro da meta. Isso provaria, segundo ele, que o BC não pode ser acusado de ser extremamente conservador. Para ele, a desvalorização do dólar é mundial e está relacionado a fatores que dificilmente poderiam ser neutralizados nos marcos nacionais, como a evolução dos preços das commodities.

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