País continua a atrair investimentos diretos

Na revisão que o Banco Central fez de suas projeções para o comportamento do setor externo em 2016, o que chama mais a atenção é o aumento da previsão do déficit em conta corrente

O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2016 | 05h00

Na revisão que o Banco Central (BC) fez de suas projeções para o comportamento do setor externo em 2016, o que chama mais a atenção é o aumento da previsão do déficit em conta corrente. Até há pouco, o BC projetava um saldo negativo de US$ 15 bilhões nas transações do País com o exterior, mas, com os resultados de agosto, elevou a previsão para US$ 18 bilhões. A nova previsão, ainda bem inferior à que se fazia no fim do ano passado, de US$ 41 bilhões, reflete a valorização do real diante do dólar, aliada a um cenário de estabilização da economia com sinais de crescimento em alguns setores.

As importações somaram US$ 13,02 bilhões em agosto, com aumento de 9,31% em relação a julho (US$ 11,91 bilhões). A alta pode estar relacionada à reposição de estoques pelas empresas, preparando-se para o fim do ano, mas pode ser também o indício de uma tendência mais duradoura de aceleração do ritmo de atividade.

De qualquer forma, o que se verifica é que as exportações continuam patinando, registrando em agosto um resultado (US$ 16,93 bilhões) apenas 4,31% superior ao mês anterior (US$ 16,23 bilhões). O superávit comercial até agosto já alcança US$ 30,5 bilhões e a projeção do BC para 2016 é agora de US$ 49 bilhões, US$ 1 bilhão a menos do que a projeção anterior.

O comportamento do câmbio também se refletiu nas contas de Serviços e Renda Primária, afetando as projeções específicas do BC. Provavelmente em razão de uma mudança de expectativa, os brasileiros aproveitaram o dólar mais barato para viajar mais para o exterior, o que ocasionou um dispêndio em agosto de US$ 1,29 bilhão, o maior valor mensal neste ano. Também aumentaram em agosto, entre outros itens, as remessas de lucros e dividendos, que somaram US$ 1,73 bilhão.

Nada disso, porém, significa que o balanço de pagamentos tenha deixado de apresentar um quadro confortável. Embora tenha havido grande saída de aplicações em renda fixa (US$ 15,55 bilhões de janeiro a agosto), o País está atraindo um maior volume de Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs) destinados a fins produtivos, e que por isso tendem a permanecer longo período no País.

Em agosto, o valor de IED foi de US$ 7,20 bilhões, somando US$ 41,1 bilhões no acumulado do ano. O BC estima que US$ 6,5 bilhões de IED devem ingressar em setembro, reforçando a projeção de que o total do ano alcance US$ 70 bilhões.

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