País cresce mas temor de ?vôo de galinha? persiste

Agora, não há mais como negar: a economia brasileira está emmeio a um vigoroso processo de recuperação. O crescimento daprodução industrial em maio, de 7,8% ante o mesmo mês de 2003, ede 2,2% em relação a abril, coroou uma série de indicadorespositivos nos últimos meses, que enterraram de vez as dúvidas doinício do ano sobre a consistência da retomada. Hoje, o consensodas expectativas sobre o crescimento do PIB em 2004 caminha para4%, e há quem preveja maisEntre empresários e economistas, porém, persiste o medo de maisum "vôo de galinha" - as recuperações de curto fôlego queperseguem o Brasil há duas décadas e são sistematicamenteasfixiadas por crises externas ou pela disparada da inflação"Esta é uma recuperação cíclica, baseada na subutilização dacapacidade instalada", diz o economista Eduardo Gianetti daFonseca, professor do Instituto Brasileiro de Mercado deCapitais (Ibmec). Para Gianetti, apostar na atual retomada "éuma decisão fácil para o empresário, que não se compromete comnovos investimentos"O grande ponto de interrogação é justamente saber se as empresasvoltarão a investir no aumento da capacidade instalada a tempode evitar que o atual embalo da economia esbarre na falta deprodutos, levando a um aumento insustentável das importações ouda inflação.Segundo o ex-presidente do Banco Central (BC) Gustavo Franco,"para garantir uma era de crescimento rápido e sustentável, oBrasil precisa elevar sua taxa de investimento em 10 pontosporcentuais" - dos atuais 18% do PIB para um nível entre 27% e28%. "São R$ 150 bilhões de investimento a mais por ano",resume"Eu não consigo acreditar num crescimento sustentado com cargatributária de 40% do PIB, e sem crédito", diz, por sua vez, oempresário têxtil Paulo Skaf, presidente da AssociaçãoBrasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e candidatoà presidência da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo(Fiesp), disparando contra dois dos principais espantalhos dosinvestimentos no Brasil: os impostos que se concentrampunitivamente no setor formal e o financiamento escasso e caro

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.