País crescerá 4% no fim do ano, diz Mantega

Ministro da Fazenda volta a afirmar que economia brasileira está em recuperação e dará sinais mais claros neste semestre 

Bianca Ribeiro, Fernanda Guimarães e Gustavo Porto, da Agência Estado,

17 de agosto de 2012 | 12h53

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a afirmar que a economia do País está em recuperação "cada vez mais nítida" e que o desempenho da atividade deve mostrar sinais mais claros a partir deste segundo semestre. "Ultrapassamos o Cabo da Boa Esperança".

De acordo com o ministro, a economia do Brasil deverá crescer a uma taxa de 4% no quarto trimestre deste ano. "O varejo teve um crescimento extraordinário. Cresceu 6,1% no mês (de junho), no conceito ampliado", lembrou.

Mantega reiterou que, apesar dos bons indicadores divulgados desde ontem, como vendas no varejo, vendas de automóveis e geração de emprego, além do Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) de hoje, o governo continuará tomando medidas para estimular o crescimento. 

IPI

O ministro da Fazenda também afirmou que o governo negocia com a indústria automotiva a redução do IPI para veículos mais eficientes, como aqueles com menor consumo de combustível, elétricos e com maior quantidade de componentes nacionais. Segundo o ministro, a medida fará parte do novo regime automotivo que deve ser regulamentado até setembro. "Mas as medidas não serão aplicadas agora. Isso deve ocorrer num período daqui a um ano."

De acordo com ele, o assunto é tema de reunião, hoje, entre o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, e o secretário executivo da pasta, Nelson Barbosa, em Brasília.

Sobre a prorrogação das medidas de redução das alíquotas de IPI de veículos e produtos da linha branca, cujo prazo termina no dia 31 de agosto, o ministro disse que o governo ainda não pensa sobre o assunto. De acordo com Mantega, o governo vai avaliar, ao final do período, a geração de empregos e o desempenho do comércio e da indústria.

"Uma coisa está acoplada à outra. É preciso expandir o nível de emprego, o que já ocorreu", afirmou. "Já a indústria e o comércio também deram sinais de melhoria". Em declarações recentes, o ministro Mantega refutava a possibilidade de prorrogar as medidas de redução de IPI.

'Não é privatização'

Mantega disse ainda que discorda da avaliação de alguns economistas de que o pacote de concessões anunciado neste semana pelo governo, tratado por ele como Parcerias Público-Privadas (PPPs), só terá efeito em 2014. "O programa de investimentos é de longo prazo, mas tem efeitos também no curto prazo, especialmente sobre as expectativas".

Na avaliação de Mantega, as decisões de investimento das empresas são influenciadas por este grande pacote de projetos. De acordo com o ministro, não há projetos disponíveis no mercado internacional que sejam tão interessantes para os investidores. Questionado sobre qual seria a taxa de retorno desses investimentos, Mantega afirmou que a rentabilidade real é de 10% a 11%.

Para Mantega, o cenário de aquecimento da economia está sendo formado por vários aspectos, como o aquecimento do consumo, redução da inadimplência e, agora, pelo lado da oferta, vários projetos de longo prazo, como os relacionados com a Copa do Mundo, o Minha Casa Minha Vida, o programa de aportes da Petrobras, e também este voltado para logística.

O ministro voltou a defender que este programa de logística não é uma privatização. "Andaram falando por aí em privatização, mas este programa é uma Parceria Público-Privada com titularidade do setor público", afirmou.

 

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