País cria 1,9 milhão de vagas até agosto e bate recorde

Resultado foi o melhor para o período desde o início da série do Caged, que leva em conta empregos com registro em carteira

Célia Froufe / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 00h00

O ano de 2010 tem sido o melhor até agora para o mercado de trabalho formal do País. Pelo menos nos 19 últimos anos, quando foi criado o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho.

De janeiro a agosto de 2010, foi criado 1,954 milhão de postos com carteira assinada, recorde de toda a série histórica para esse tipo de comparação e muito próximo da meta inicial do governo de criar 2 milhões de vagas formais até o fim do ano.

Com sucessivos recordes mensais até maio, na véspera do Dia do Trabalho o ministro Carlos Lupi ampliou o objetivo deste ano para 2,5 milhões de empregos. O melhor período de janeiro a agosto da história do Caged havia sido em 2008, com a criação de 1,8 milhão de postos.

Apesar da acomodação da geração de vagas em junho (213 mil) e julho (182 mil), o mercado ganhou fôlego e voltou a contratar com força em agosto. Segundo o ministério, foram 1,74 milhão de contratações no mês passado ante 1,441 milhão de demissões, um saldo de 299,415 mil postos com carteira, o maior para meses de agosto.

Até então, o melhor agosto para os trabalhadores celetistas havia sido no ano passado, quando 242 mil vagas foram criadas, já descontadas as demissões.

Otimista com os dados divulgados ontem, o ministro previu a continuidade dos recordes mensais até novembro. "Tenho expectativa de quebra do recorde mensal este ano." O melhor mês em geração de vagas de todos os tempos foi junho de 2008, antes do ápice da crise global, com saldo de 309 mil vagas.

O aumento real dos salários é o principal argumento de Lupi para o aquecimento do mercado. Segundo ele, o consumo maior tem feito girar a roda econômica. Além disso, citou o crescimento dos investimentos e até a condução da política monetária pelo Banco Central, instituição que costumeiramente é alvo de críticas do ministro. Para ele, não há dúvidas de que a meta de geração de 15 milhões de vagas com carteira durante os oito anos do governo Lula será batida até o fim do ano. "Teremos o melhor ano da história do Caged", previu. Até o mês passado, o saldo estava em 14,478 milhões.

Serviços e Comércio. Os setores de Serviços (128.232 postos), Comércio (65.083) e Construção Civil (40.138) registraram o maior volume de admissões para agosto no mês passado. A indústria de transformação admitiu 70.393 empregados, a segunda melhor marca do Caged.

O Sudeste continua a liderar na criação de vagas, com 149 mil postos no mês passado, recorde para agosto. Também apresentaram recordes o Nordeste (69,5 mil) e o Sul (51 mil), onde todos os Estados tiveram o melhor desempenho para o mês em questão. O Norte gerou 16,5 mil vagas e o Centro-Oeste, 13 mil.

O Rio de Janeiro foi o Estado que mais surpreendeu na geração de empregos em agosto. O resultado de 24,9 mil vagas é o melhor desempenho do Estado de toda a série histórica para o período e também o melhor dentre todos os meses.

"O Rio de Janeiro está bombando. Meu Rio de Janeiro, que é lindo em todos os momentos, bateu todos os recordes", enfatizou o ministro, que, apesar de ter nascido no interior de São Paulo, construiu sua carreira política no Rio. "O Rio está tendo muito investimento nos preparativos da cidade para a Copa e a Olimpíada. O desempenho da construção, comércio e serviços soma-se a uma onda positiva de vários preparativos", disse.

Apesar desse destaque, dois outros Estados apresentaram maior criação de empregos formais em termos absolutos em agosto: São Paulo (90.633 vagas) e Minas Gerais (29.253).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.