País cria 131 mil empregos em maio

Mesmo tendo sido o 4.º mês seguido de alta, foi o pior maio em 10 anos

Isabel Sobral, O Estadao de S.Paulo

23 de junho de 2009 | 00h00

Com a indústria de transformação ainda em ritmo lento, a economia brasileira criou em maio 131,5 mil empregos com carteira assinada. Foi o quarto mês consecutivo com mais contratações do que demissões, desde o agravamento da crise no fim de 2008, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem. No entanto, foi o pior maio dos últimos dez anos. No mesmo mês do ano passado, o Caged havia registrado 202,9 mil novos empregos formais. De janeiro a maio, o Caged acumula 180 mil novos postos formais, número que ainda está longe de repor as quase 800 mil vagas fechadas no País entre novembro de 2008 e janeiro deste ano. E bem abaixo do 1,051 milhão de empregos criados no mesmo período do ano passado.MAIS EMPREGOSSem revelar números, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, antecipou que junho vai apresentar "um resultado melhor que maio". Ele espera que o primeiro semestre termine com a abertura de "350 mil a 400 mil" empregos. Para o ano, ele aposta na criação de 1 milhão de postos de trabalho. Lupi destacou que todos os principais setores econômicos contrataram mais do que demitiram em maio. Mas a indústria de transformação registrou apenas 700 novos empregos. Embora tenha sido o segundo mês consecutivo de resultado positivo (em abril haviam sido 183 novas vagas), os dados retratam ainda um comportamento muito fraco do setor industrial, um dos mais atingidos pela crise global. Em iguais meses de anos anteriores, a média de geração de novas ocupações pela indústria girou em torno de 50 mil. Para Lupi, entretanto, a indústria já está se recuperando. "Os problemas são localizados", comentou. O setor agropecuário foi o que teve melhor desempenho no mês passado, abrindo 52,9 mil novos postos, mas por motivos sazonais. É que continuou em maio o ciclo de várias culturas agrícolas iniciado em abril, como a do café e a da cana-de-açúcar. O setor de serviços também foi destaque, com a contratação de 44 mil empregados a mais que os demitidos. Puxado pelo Dia das Mães, a segunda melhor data de vendas, o comércio abriu 14,6 mil vagas. Todas as regiões do País tiveram saldo líquido positivo na criação de empregos em maio. "Foi a primeira vez que isso ocorreu neste ano, e é um indicativo muito positivo da recuperação da economia", comemorou o ministro do Trabalho.INTERIOROs Estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, além de Paraná e Bahia, apresentaram os melhores resultados líquidos de empregos formais, desempenho influenciado pelo setor agropecuário.Em decorrência do comportamento da atividade agrícola, houve abertura de mais vagas nas cidades do interior do País do que nas regiões metropolitanas. No interior, foram 79,3 mil novos empregos formais contra 34,3 mil postos no conjunto das regiões metropolitanas. Lupi atribuiu o resultado positivo do Caged às medidas de estímulo da economia adotadas pelo governo federal. "Estamos no caminho certo, e é preciso continuar nessa política de redução de juros, nas ações de estímulo do crédito ao setor produtivo e estímulo do consumo e da renda", comentou.

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