País cria 152 mil vagas formais em janeiro

Resultado é o 2º melhor para o mês desde o início da série; meta do governo é criar 3 milhões em 2011

Célia Froufe, da Agência Estado,

24 de fevereiro de 2011 | 11h06

O saldo de criação de vagas de janeiro divulgado nesta quinta-feira, 24, pelo Ministério do Trabalho foi o segundo melhor resultado para o mês, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No mês passado, foram criados 152.091 postos de trabalho com carteira assinada, ante 181 mil vagas verificadas em janeiro de 2010.

A partir de agora, o Ministério do Trabalho divulga também os resultados com ajustes, contabilizando as declarações entregues pelas empresas fora do prazo. Com isso, o saldo líquido com carteira assinada em janeiro do ano passado foi de 240 mil.

Apesar da expectativa de crescimento menor do País em 2011 e do corte do orçamento este ano, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, mantém a projeção de criação de 3 milhões de empregos com carteira assinada em 2011. No ano passado, foram criados pouco mais de 2,5 milhões de postos. Lupi justificou que os cortes de gastos anunciados pelo governo estão concentrados em custeio, e não em investimentos. "No máximo, 10%, 15% disso é corte de investimentos, que já não eram mais prioritários", afirmou.

Para o ministro, o emprego será impulsionado este ano principalmente pelos serviços, comércio e construção civil - este último setor mostrou pequeno arrefecimento no segundo semestre do ano passado, em função do período eleitoral.

Já a indústria não deverá se apresentar como um grande carro-chefe no mercado de trabalho, mantendo um ritmo de crescimento muito próximo ao verificado em 2010. No ano passado, na série sem ajustes, a indústria foi responsável pela criação de 485.028 vagas com carteira de trabalho assinada. No ano anterior, em função do impacto da crise financeira internacional, o setor gerou 10.865 postos.

Apesar da expectativa positiva do ministro, a criação de vagas formais em janeiro deste ano ficou abaixo da verificada no mesmo mês do ano passado. Para Lupi, no entanto, não se trata de uma desaceleração da criação de empregos. Para ele, o número de 2010 foi fortemente influenciado pela recontratação de funcionários, principalmente pela indústria brasileira, que acabou dispensando seus quadros no auge da turbulência. "Os quadros comparativos são diferentes", avaliou. "Atipicamente, em janeiro de 2010, a indústria bombou mais porque tinha demitido mais com a crise."

Salários médios sobem em 2010

Os salários médios de admissão registraram um aumento real de 4,78% no ano passado, em relação a 2009, passando de R$ 795,81 para R$ 833,86. Apesar da melhora, houve uma ampliação da diferença do salário real médio de admissão dos homens, em relação ao das mulheres. Na média, os homens passaram a receber 5,20% a mais, enquanto o reajuste das mulheres foi de 4,09%. Durante o governo Lula, o aumento real desses salários (admissão) foi de 29,03%, já que em 2003 a remuneração média de admissão estava em R$ 646,23.

O comportamento favorável no período foi verificado em todas as unidades da federação. Entre os destaques estão Rondônia (62,19%); Piauí (46.60%); Alagoas (45%); Acre (43,12%) e Maranhão (42,36%).

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, ressaltou que com o desenvolvimento da economia brasileira, há um destaque claro dos rendimentos nos estados do Norte e do Nordeste. "Tem muita indústria indo para lá e o brasileiro começa a descobrir o nordeste", afirmou o ministro. Segundo ele, também é possível verificar um claro fluxo migratório das regiões do sul do País para as do Norte e Nordeste. Com isso, na avaliação do ministro, muitos trabalhadores têm voltado a seus estados de origem com uma melhor qualificação profissional, o que também ajuda no aumento da remuneração. Entre os estados que obtiveram os menores ganhos reais de salário de admissão durante o governo Lula estão o Distrito Federal (13,64%); Amazonas (16,56%) e São Paulo (20,16%).

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