País cria 72 mil vagas formais em maio, menor resultado para o mês em 21 anos

Geração de empregos foi 63% menor em relação a maio do ano passado e reflete perda de dinamismo do mercado de trabalho

Laís Alegretti e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

21 de junho de 2013 | 14h50

Texto alterado às 19h para atualização de informações

BRASÍLIA - O mercado de trabalho formal no Brasil voltou a perder fôlego em maio e registrou o pior resultado para o mês em 21 anos, segundo a série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgada na noite desta sexta-feira, 21, pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Mais cedo, ao anunciar os dados de maio, só estavam disponíveis registros a partir de 2003. A série histórica começa em 1992, único ano em que o resultado de maio foi menor do que em 2013. Naquele ano, foram abertos apenas 21.533 postos de trabalho em maio.

No mês passado, as contratações com carteira assinada superaram as demissões em 72.028, bem abaixo do patamar dos três meses anteriores, quando a criação de novos postos de trabalho superou a marca dos 100 mil por mês.

A geração líquida de empregos representou uma queda de 48,43% em relação ao mesmo período do ano passado, pela série sem ajuste, e de 63,20% considerando os registros das empresas feitos fora do prazo. No acumulado do ano, foram criados 669.279 empregos formais. A meta do Ministério do Trabalho é atingir 1,7 milhão de novas vagas este ano.

As demissões em maio somaram 1.755.094, também o pior resultado para o mês, e as admissões foram de 1.827.122, o segundo melhor resultado para o período.

O resultado, destaca o MTE, mantém a trajetória de expansão, mas revela uma perda de dinamismo quando comparado com os resultados do mesmo mês dos anos anteriores.

Segundo o governo, o comportamento pode ser justificado, em parte, em função de um possível deslocamento da demanda por trabalhadores para os próximos meses, em razão do cenário internacional, associado a redução da expectativa dos agentes econômicos.

De acordo com o Caged, as demissões em maio, de 1.755.094, também foram as maiores para o período. Enquanto que as admissões em maio, de 1.827.122, representam o segundo melhor resultado para o mês.

Construção recua. A construção civil foi o único dos oito setores pesquisados que registrou queda na geração de empregos no mês de maio. Segundo os dados do Caged, houve demissão líquida de 1.877 trabalhadores. O governo atribui o resultado "em parte, ao encerramento das obras ligadas à Copa" e destaca concentração no estado de Pernambuco, onde houve foram fechados 4.395 postos.

No comércio, houve estabilidade, com a criação de 36 postos de trabalho. Na agricultura, foram criados 33.825 empregos. No setor de serviços, surgiram 21.154 empregos. Os postos de trabalho na indústria de transformação aumentaram 15.754 no mês.

Os empregos na administração pública também cresceram: 2.850 postos a mais. Para a área extrativa mineral, foram criados 192 vagas. No setor de Serviços Indústrias de Utilidades Públicas, houve criação de 94 postos no mês de maio.

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