Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

País cria 47,3 mil empregos formais no melhor julho em seis anos

De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quarta-feira, o saldo de vagas de trabalho é positivo em 448.263 no acumulado do ano

Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2018 | 16h44

BRASÍLIA- O Brasil encerrou o mês de julho com a abertura de 47.319 vagas de emprego com carteira assinada, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Os números ainda não foram divulgados pelo Ministério do Trabalho, mas já constam do banco de dados do Caged. Esse foi o melhor resultado para o mês de julho desde 2012, quando foram abertas 142 mil vagas.

O resultado mensal de julho veio acima do esperado pelos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast. Entre as 20 estimativas coletadas, a mediana apontava para a criação de 24.250 vagas, sem ajuste sazonal. Essas projeções variavam do corte de 8.872 postos formais até a criação de 65.000 empregos.

Com a criação de vagas no mês passado, o mercado de trabalho volta a registrar saldo positivo após o fechamento de 661 empregos formais no mês de junho. No acumulado dos sete primeiros meses do ano de 2018, o cadastro de emprego registra a abertura de 448.263 vagas com carteira assinada. Em 12 meses até julho, foram criados 286.121 empregos formais.

O resultado mensal positivo foi puxado pelo agronegócio, que registrou a abertura de 17.455 empregos com carteira assinada no mês. Em seguida, aparecem os serviços, que geraram saldo líquido de 14.548 postos de trabalho, e a construção civil, que ganhou 10.063 empregos.

Entre os demais segmentos da economia, a indústria de transformação gerou 4.993 vagas, os serviços de utilidade pública ganharam 1.335 empregos e o segmento de extração mineral, 702 postos.

Por outro lado, a administração pública perdeu 1.528 empregos e o comércio registrou fechamento de 249 postos de trabalho. 

Trabalho intermitente gera 3.399 vagas no mês

Os dados do Caged indicam que o mês de julho terminou com a criação líquida de 3.399 empregos com contrato intermitente e abertura de outras 813 vagas pelo sistema de jornada parcial. Somados, os dois novos contratos criaram 4.212 empregos no mês passado.

De acordo com os dados do Ministério do Trabalho, julho teve criação de 4.951 vagas com contrato intermitente ao mesmo tempo em que houve fechamento de 1.552 postos sob esse novo regime. Entre os Estados com o maior número de contratações líquidas nesta modalidade, estão São Paulo (saldo positivo de 1.173), Minas Gerais (464) e Rio de Janeiro (367).

Já as contratações de trabalhadores em regime de tempo parcial tiveram total de 4.643 contratações e 3.830 desligamentos no mês. Os maiores saldos foram registrados no Rio de Janeiro (210), São Paulo (154) e Ceará (103).

Efeitos da greve dos caminhoneiros começam a se dissipar

O saldo positivo de empregos em julho é mais um indício de que os efeitos da greve dos caminhoneiros e da Copa do Mundo estão se dissipando na economia, disse ao Estadão/Broadcast o economista Alex Agostini, da Austin Ratings.

"O destaque é o resultado para construção civil (que gerou 10 mil vagas). É um setor que tem muita mão de obra e uma massa salarial importante que determina o consumo. Esse número, por si só, mostra um restabelecimento das condições de emprego anteriores à greve e à Copa", disse.

O resultado positivo surpreendeu Agostini, que esperava o fechamento de 8 mil postos de trabalho. Segundo ele, a expectativa era negativa porque os meses anteriores vinham surpreendendo para baixo. E, com os efeitos da greve e a Copa, a fraqueza do mercado de trabalho poderia se prolongar por mais um mês.

A questão do momento, acrescentou o economista, passa a ser se o mês de agosto vai manter esse ritmo de geração de emprego, mesmo diante de um ambiente político conturbado, que tem levado a uma desvalorização do real. "O câmbio influencia em custos de produção e o cálculo acaba refletindo na contratação", disse.

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