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País demanda mais software para gestão de fazendas

As vendas de sistemas de gerenciamento devem crescer 18% em cinco anos nas Américas, para US$ 1,6 bilhão em 2023

BroadcastAgro, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 05h00

A Hexagon, empresa global de soluções digitais, observa desde o ano passado no Brasil o reaquecimento da demanda por softwares de gestão de fazendas. No ano passado, a receita de sua divisão agrícola no País avançou 45%. Bernardo de Castro, presidente da Hexagon Agriculture, diz que para 2019 a expectativa é ver o bolo crescer de 30% a 40%, com a confiança de produtores de grãos na reação da economia. As demandas de empresas de papel e celulose e do setor sucroalcooleiro também sustentarão os negócios, assim como as exportações, diz o executivo. A perspectiva de crescimento da procura por soluções digitais no campo é apontada também por relatório da BIS Research, empresa de pesquisa e inteligência de mercado. Segundo o estudo, que inclui a Hexagon, as vendas de sistemas de gerenciamento devem crescer 18% em cinco anos nas Américas, para US$ 1,6 bilhão em 2023. Os Estados Unidos vão liderar a demanda, seguidos pelo Brasil. 

Para o mundo. A divisão agrícola da Hexagon tem origem na startup de agricultura de precisão Arvus, fundada por Castro em 2004 em Florianópolis (SC). Vendida para a Hexagon dez anos depois, a Arvus se juntou com duas empresas sob controle da companhia sueca, que constituíram a divisão agrícola, com sede no Brasil. Daqui saem softwares e hardwares para mais de 40 países. As vendas para o exterior representaram aproximadamente 40% do faturamento do Brasil em 2018 e esta parcela deve ser maior em 2019, diz Castro. 

Aprovou. Três grandes associações de produtoras de grãos e combustíveis renováveis dos Estados Unidos – a US Grains Council, a Growth Energy e a Renewable Fuels Association (RFA) – enviaram documento à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para cumprimentar o governo brasileiro pelo “desenho e implementação de tão ambiciosa política de combustíveis renováveis”, o RenovaBio. 

Parceria. As entidades norte-americanas ligadas ao etanol foram consultadas e participaram de mecanismos específicos do RenovaBio. “Estados Unidos e Brasil têm construído uma relação comercial cooperativa e sólida, especialmente em relação aos biocombustíveis, e gostaríamos de continuar vendo que o RenovaBio promove essa relação comercial livre e justa”, informam as entidades.

Rumo ao Oriente. A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) vai acompanhar a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, na viagem que fará à China em maio. “Estamos programando mostrar nossos produtos e a confiança do produtor nos mercados asiáticos”, afirma Bartolomeu Braz Pereira, presidente da entidade. Após participar na semana passada do lançamento das Frentes Parlamentares Brasil-China e Brasil-Brics, na Câmara dos Deputados, a Aprosoja reforça a expectativa de ampliar mercados.

Inovação. A SLC Agrícola estreia programa de conexão com startups para atrair empreendedores e soluções que tragam maior eficiência à companhia, produtora de soja, milho e algodão. O Agro Exponencial selecionará empresas que desenvolverão projetos piloto de julho a outubro, para potenciais parcerias comerciais. A SLC se cercou de quem está à frente do mundo digital: a consultoria Innoscience, especializada em inovação, a AgTech Garage, um dos principais centros de inovação para o agronegócio do País, e a StartSe, empresa que promove eventos e troca de informações entre empresas e startups. 

Falta espaço. O déficit de armazenagem de grãos no Brasil chegará a 77,4 milhões de toneladas neste ano, diz a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, com base em dados da consultoria Cogo. O que pode amenizar a falta de espaço é a previsão de que o investimento em silos deve crescer 10%, conta à coluna Andrea Hollmann, coordenadora do Grupo de Trabalho de Armazenagem da Abimaq. 

Só que. Andrea Hollmann diz que os juros atrativos de 5,25% a 6% do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) poderiam atrair mais investimento, mas há um limitador. Produtores também têm usado o dinheiro que “sobra” para comprar terras e expandir o plantio. “As distâncias são grandes no Brasil e faria mais sentido ter armazéns nas propriedades rurais”, avalia.

Cliente garantido. Com as exportações de carne em alta, Alcides Torres, diretor da Scot Consultoria, prevê que o confinamento de bovinos este ano se mantenha ao redor de 3,5 milhões a 4 milhões de cabeças. “Apesar de o mercado interno não ter se recuperado, as vendas externas vão bem e boa parte do gado exportado passa por período de confinamento para padronizar as peças de carne”, explica. A prática de alimentar animais em cochos é adotada no período de estiagem, quando o pasto perde vitalidade.

Sustentável. O Laticínio Scala iniciou processo de certificação de suas fábricas na norma ISO 14.001, que exige compromisso com melhorias em sustentabilidade. Para isso, a empresa vai investir R$ 100 mil. “A certificação nos trará mais eficiência no sistema de gestão ambiental da companhia, padronização na produção e controle dos impactos do processo produtivo”, diz Cleidomar Oliveira, coordenador de Meio Ambiente da Scala. 

 

COLABOROU LETICIA PAKULSKI

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