País deve aproveitar para se endividar com obras, diz Lula

Presidente afirma que Brasil deve aproveitar condição de credor externo para gastar com infra-estrutura

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

22 de fevereiro de 2008 | 16h58

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou nesta sexta-feira, 22, o fato de o Brasil ter se tornado credor externo e avisou: "temos de aproveitar este momento e começar a nos endividar para gastar com infra-estrutura".  Em discurso no Congresso Nacional da Argentina, durante visita oficial a Buenos Aires, ele questionou quantas pontes, rodovias e outras obras podem ser realizadas a partir desse momento "depois de 500 anos de história em que fomos devedores".   Veja também: Condição de credor coroa fortalecimento do País, diz Coutinho "Impagável", dívida externa chegou a US$ 230 bi   Veja a íntegra do relatório do BC   Celso Ming explica o que representa a posição credora do Brasil   As reservas brasileiras e a dívida externa    Posição credora do Brasil é um passo para grau de investimento  Dívida interna do País cai para R$ 1,204 trilhão   Pela primeira vez, o Brasil tem em suas reservas internacionais dinheiro suficiente para quitar toda a dívida externa - pública e privada. O cálculo é do Banco Central e foi anunciado pelo Banco Central nesta quinta-feira, 21. De acordo com o BC, em janeiro as reservas internacionais devem superar a dívida externa em US$ 4 bilhões.   No documento intitulado "Indicadores de Sustentabilidade Externa do Brasil, Evolução Recente", o BC lembra que a posição devedora do Brasil era de US$ 165,2 bilhões ao final de 2003. Ao longo dos últimos quatro anos, o fortalecimento das reservas internacionais e o programa de recompra da dívida externa e de antecipação de pagamentos resultou na redução desse montante. Apenas no ano passado, as reservas internacionais cresceram 110% e chegaram a US$ 180,3 bilhões no final de dezembro.   Para o BC, as reservas apresentaram "evolução sem precedentes nos últimos anos", de US$ 16,3 bilhões, em 2002, quando excluídos os empréstimos do FMI, para US$ 180,3 bilhões ao final de 2007, "tendo crescido 110,1% apenas neste último ano", destaca o texto. Na avaliação da autoridade monetária, "o principal fator responsável por essa ampliação foi o superávit no mercado cambial, que acumulou US$ 150,6 bilhões de 2003 a 2007".   No relatório, o BC avalia que a compra feita pela própria instituição no mercado cambial respeita a política de câmbio flutuante. "Ou seja, não adicionando volatilidade (oscilação) ao mercado e não definindo pisos nem tendências", cita o documento. As compras líquidas de dólar feitas pelo BC alcançaram US$ 141,3 bilhões nos últimos cinco anos, dos quais 55,6% apenas em 2007.   O que isso significa?   O comentarista econômico do jornal O Estado de S. Paulo, Celso Ming, destaca que a posição credora do Brasil no mercado internacional traz conseqüências positivas para o País. Ele enumera:   1- Esta condição melhora a percepção do Brasil perante os investidores estrangeiros. Isso significa aumento de confiança nos títulos de empresas e do governo brasileiro.   2- Com a melhora da percepção do País, mais investidores compram títulos de empresas e do governo brasileiro. Isso significa mais dólares entrando no mercado interno.   3- A melhora da percepção também deixa o Brasil mais perto do grau de investimento - classificação dada a países com baixíssimo risco de calores.   4- Se a classificação de grau de investimento se confirmar, mais investidores estarão dispostos a investir no País e mais dólares entrarão no Brasil. Além disso, o juro do dívida cai e as condições de endividamento do País ficam ainda melhores.

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