País deve emitir bem menos no Exterior este ano, prevê Sobeet

A redução do custo de captação do governo brasileiro no mercado externo é um bom sinalizador mas ainda está longe do cenário ideal para as operações do setor privado. A Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais (Sobeet) prevê uma redução de, pelo menos, US$ 10 bilhões nas emissões brasileiras no exterior este ano em relação a 2001. Além disso, a expectativa é de queda também da taxa de rolagem dos empréstimos que estão vencendo. O motivo, segundo o presidente da Sobeet, Antônio Correia de Lacerda, é uma combinação de custo elevado das operações, redução da liquidez internacional e a necessidade de se proteger internamente contra oscilações na taxa de câmbio, principalmente num ano eleitoral. "Não há um estímulo porque as empresas se preocupam com o custo das operações de hedge (proteção) que é alto aqui no país", afirma Lacerda.Para, no entanto, a emissão de títulos da República no valor de 500 milhões de euros realizada na última quinta-feira é um sinalizador importante de que a trajetória do risco Brasil é de queda, o que representará redução das operações externas também do setor privado. Os bônus lançados no mercado europeu pagaram uma taxa 6,46 pontos percentuais acima do título do Tesouro alemão com as mesmas características. O papel - com prazo de sete anos e vendido por 99,76% do valor de face - foi negociado em melhores condições do que os bônus em dólar, com prazo de seis anos, lançado no início do mês. O custo da operação foi de 7,38 pontos percentuais acima do título de referência do Tesouro americano.Segundo o chefe do Departamento da Dívida Externa do Banco Central, José Linaldo Gomes de Aguiar, a República é sempre usada como um referencial importante para as empresas que desejam captar dinheiro no exterior. É comum, após uma operação bem sucedida do governo, ocorrer emissão do setor privado. Mais de US$ 28 bilhõesEste ano, os vencimentos externos do setor privado deverão superar os US$ 28 bilhões, incluindo os pagamentos de juros. Os meses de maior concentração são junho e dezembro quando vencem cerca de US$ 2,7 bilhões e US$ 3,5 bilhões, respectivamente. Segundo operadores do mercado financeiro, as empresas têm evitado contrair novas dívidas em dólar, principalmente, depois da turbulência vivida em 2001, quando o real se desvalorizou 18% em relação ao dólar. No entanto, os bancos têm aproveitados momentos de calmaria para captar a custos mais baixos e repassar os recursos internamente. Mas os valores atuais ainda são considerados elevados. "Para captar a esse custo não conseguiríamos emprestar aqui", diz Délcio Blajfeder, gerente de mercado internacional de capitais do Banco do Brasil. "Mas ainda assim, as operações da República são importantes para mostrar que há apetite por papéis brasileiros", destacou.Segundo o gerente do BB, a estratégia que vem sendo usada pelas instituições financeiras é realizar operações mais elaboradas que permitem reduzir o custo. Foi o caso do último lançamento externo do BB realizado em dezembro do ano passado com garantia no fluxo de remessas de recursos dos Estados Unidos que a instituição recebe anualmente. "Com essa operação de securitização, captamos US$ 450 milhões com prazo de 7 anos e spread de 3,25 pontos", afirma.Outras instituições têm feito ainda operações estruturadas que agregam um seguro contra risco político. Na prática, significa que se houver algo que impeça o pagamento da dívida, o investidor tem a garantia de uma seguradora para receber, pelo menos, a parcela referente aos juros. "O BB vem estudando uma captação dessas", afirma Blajfeder, ressaltando que ainda não há prazo definido para a realização.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.