País é lanterninha dos emergentes

Média de crescimento dos últimos 5 anos do governo Lula deixa País em 35.º lugar em ranking com 39 emergentes

Nilson Brandão Junior, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2008 | 00h00

O crescimento médio da economia brasileira nos últimos cinco anos do governo Lula, de 3,8%, coloca o Brasil em 35º lugar em um ranking com 39 países emergentes que tiveram o desempenho de sua economia medido. O ranking foi elaborado pela Austing Rating a pedido do Estado.Nos últimos cinco anos, o crescimento médio do conjunto de países avaliados foi de 5,6% ao ano. No resultado final, foi constatado que o País supera apenas Guatemala, México, El Salvador e Haiti. A expansão neste período, porém, supera o crescimento médio verificado nos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso, de 2,3%."A gente tem de considerar que o histórico brasileiro ainda é de baixo nível de investimento e elevada taxa de juros", afirma o economista-chefe da Austin, Alex Agostini. No topo da lista, aparecem a China (crescimento médio de 10,6%), Argentina (8,6%), Índia (8,5%), Venezuela (7,8%) e Ucrânia (7,6%). Enquanto a taxa de investimentos do Brasil em 2007 foi de 17,6% do Produto Interno Bruto (PIB), a chinesa tem estado perto dos 40% nos últimos anos.Em outro levantamento, feito pelo economista Reinaldo Gonçalves, do Instituto de Economia da UFRJ, o desempenho do Brasil foi maior apenas do que o dos países desenvolvidos, que têm potencial de crescimento são naturalmente menor. Nos últimos cinco anos, os principais países desenvolvidos que integram o G-7 (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Canadá e Japão) cresceram em média 2,3% ao ano. Na União Européia, o avanço médio foi de 2,5%.Entre 2003 e 2007, a expansão brasileira esteve sempre abaixo da média de nações em desenvolvimento. Desde o início da década, apenas em 2000 e 2002 o Brasil superou o avanço médio de outros países emergentes. Especificamente em 2002, quando o Brasil cresceu 2,7%, a média geral (2,3%) foi jogada para baixo pelas variações negativas de 10,9% da economia argentina e de 11% da uruguaia.No ano passado, o PIB brasileiro cresceu de forma mais expressiva (5,4%), taxa abaixo da média de 5,8% estimada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para os países em desenvolvimento este ano. Esse crescimento, contudo, deixou o País na 23ª colocação no ranking do ano de 2007 com as 39 economias emergentes pesquisadas pela Austin, um desempenho melhor do que a média dos últimos cinco anos.Agostini analisa que o nível de investimento na China e na Índia explica, em grande parte, a forte expansão dos dois países no período recente. No caso da Argentina, a economia local está se recuperando após anos de baixo crescimento ou até encolhimento, com juros baixos e inflação alta. Ele também explica que o desempenho da Venezuela está fortemente baseado na escalada das cotações de seu principal produto, o petróleo.No passado, o Brasil chegou a ter taxas de investimentos que atingiram 36,7% do PIB. Foi em 1975, pela série antiga do IBGE. Agora, os economistas esperam que o crescimento dos investimentos, que em 2007 avançaram dois dígitos (13,4%) pelo segundo ano consecutivo, deverá aumentar o peso desse componente dentro do PIB.GOVERNOSO estudo feito pelo professor da UFRJ também mostra que o governo Lula ocupa o 19º lugar no ranking dos 30 mandatos presidenciais que o País teve desde 1890. O desempenho do atual governo, incluindo os quatro anos do primeiro mandato mais 2007, supera a média do primeiro (2,4%) e do segundo (2,1%) mandato de FHC e a variação negativa de 1,4% da gestão de Fernando Collor de Mello. A gestão de Itamar Franco aparece na 12ª colocação, com crescimento médio de 5,4%.Na prática, o desempenho da economia do Brasil vem mostrando maior robustez nos últimos quatro anos. Entre 2004 e 2007, o PIB do País avançou 4,5% em média, praticamente o dobro do governo anterior. Essa média exclui o fraco resultado do primeiro ano do governo Lula, em 2003, quando a economia cresceu apenas 1,1%.

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