País é ´leopardo do crescimento´ freado pelo Estado, diz FT

Jornal financeiro mais influente da Europa publica caderno especial sobre Brasil

Agencia Estado

21 de junho de 2007 | 12h49

O jornal Financial Times publica nesta quarta-feira, 20, um caderno especial sobre o Brasil, avaliando-o como um "leopardo do crescimento" freado pelo peso do Estado. Em seis páginas, além de reportagens sobre a situação política e econômica, o diário financeiro mais influente da Europa aborda o vigor do setor privado, exemplificado pela performance da Companhia Vale do Rio Doce, a importância do setor agrícola, o crescimento no setor imobiliário, a maior maturidade dos mercados financeiros e a "transformação" da indústria cinematográfica, entre outros temas.O FT enfatiza a discrepância entre o papel do setor privado no crescimento e modernização da economia brasileira em relação ao setor público, cujo tamanho e custo limitam uma performance ainda melhor. "Dois motores. Dois Brasis", diz o diário britânico. Um deles "é o mundo muito competitivo internacionalmente e produtivo das grandes companhias brasileiras, especialmente aquelas envolvidas em crescentes mercados de exportação, irradiando um desenvolvimento e criação de empregos do estilho chinês". O outro "é o mundo câmera lenta do setor público". Esse mundo, observou o jornal, "é aquele no qual o Estado é o grande provedor, onde oportunidade e avanço estão ao alcance daqueles que estão próximos do poder". O jornal afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao manter as políticas macroeconômicas liberais introduzidas na década de 90, "tem presidido ao longo de um período de estabilidade e avanço para os pobres inédito". A inflação baixa, os programas de transferência de renda para os pobres, o boom das exportações e as condições econômicas globais extraordinariamente benignas tornaram Lula "o mais popular presidente brasileiro" da história. Segundo o FT, o vindouro boom nos biocombustíveis deverá representar um novo choque positivo para o Brasil.Ao mesmo tempo, diz o jornal, um sistema tributário complexo, a enorme burocracia, pensões do setor público "custosas e injustas" e leis trabalhistas "extremamente rígidas" prejudicam a eficiência econômica e restringem o crescimento a taxas bem abaixo daquelas necessárias para lidar com as necessidades sociais e melhorar uma infra-estrutura física deficiente". O FT observa que o presidente Lula mostra "relutância em embarcar em reformas politicamente custosas".LimitesO jornal observa que na visão de Wall Street ou das diretorias das "impressionantes" instituições financeiras brasileiras, "o dinamismo do setor privado está forçando o ritmo de mudança". Mas "pode haver limites sobre o quão longe o setor privado poderá empurrar a economia por si mesmo".Uma das preocupações é o recente crescimento no consumo. Essa tendência poderá levar os consumidores a um limite de endividamento, e o remédio para isso será um aumento da renda. As limitações na infra-estrutura, segundo o FT, é uma preocupação ainda mais urgente. "Atrasos burocráticos e uma estrutura regulatória confusa atrasaram investimentos em energia", diz o diário. "Muitos economistas alertam sobre a possibilidade de uma nova crise energética do tipo que abalou o governo de Fernando Henrique Cardoso em 2002".Uma solução seria estimular o investimento privado em infra-estrutura. "Mas o governo de Lula - que ganhou a eleição em parte por capitalizar o sentimento generalizado antiprivatização - às vezes parece desconfiado do capital privado nessa área", disse. "Mas a menos que o governo reforme o setor público, é improvável que tenha os recursos para resolver esses problemas."

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