País é um dos mais desiguais do mundo

Apesar de notável, a redução das desigualdades sociais e o aumento do número de pessoas incorporadas ao mercado de consumo no País ainda está longe de uma situação ideal. Pelo índice de Gini, a medida mais usada para avaliar a concentração de renda e que varia de 0 a 1, o Brasil evolui da marca de 0,6 em 2001 para 0,53 no ano passado. Embora seja uma queda considerável, o número atual ainda reflete um dos países mais desiguais do mundo. Entre os integrantes dos Brics, ficamos atrás da China, Índia e Rússia.

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2011 | 00h00

Ontem, ao falar sobre as mudanças e saltos econômicos que o Brasil vem festejando, o pesquisador Marcelo Neri, da FGV, também observou que não se pode esquecer do contexto em que eles se inserem: "Nosso atraso é enorme. Fomos um dos últimos países do mundo a acabar com a escravidão. Por isso as mudanças que ocorrem aqui têm um efeito muito forte. Por outro lado, também é preciso observar o quadro geral de mudanças da América Latina: entre 2000 e 2007 houve redução de desigualdades em 13 de 17 países do continente."

O pesquisador também observou que a evolução da classe média registrada no Brasil nos últimos anos não tem um grande pai ou grande responsável. Para ele, a classe média emergente é filha dela mesma. "O que mais me chama a atenção é o quanto essa população está disposto a investir na educação dos seus filhos, o que é um fator fundamental de mobilidade social. Em 1992, a média de anos de estudo na população acima de 25 anos era 4,9. Em 2009 ela já havia atingido a marca de 7,2 anos, com tendência a aumentar."

Em sua exposição, o economista-chefe do CPS da FGV também deu destaque a uma pesquisa realizada em 144 países pelo Instituto Gallup sobre as expectativas das populações em relação ao futuro. Ela mostrou que nenhum outro povo está mais esperançoso no momento em relação ao que vai acontecer daqui a cinco anos do que o brasileiro. "Somos os recordistas mundiais de felicidade futura", disse Neri.

Nas suas conclusões, o levantamento da FGV também aponta para a necessidade de se manter as medidas que garantiram o atual ciclo virtuoso de crescimento e de redução das desigualdades. "O controle da inflação é fundamental nesse processo, assim como a estabilidade democrática."

O trabalho menciona a necessidade de condições mais favoráveis para a criação de empregos formais, maiores investimentos na melhoria da qualidade de ensino e volumes maiores de crédito para pequenos empresários. "Nos últimos anos demos os pobres ao mercado, agora é preciso dar o mercado aos pobres", observou o pesquisador.

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