País 'entrou em manilha' de baixa expansão, diz Maílson

Para o ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria, Maílson da Nóbrega, o cenário de expansão reduzida do Brasil dificilmente mudará no curto prazo. "O Brasil parece ter entrado em uma manilha de baixo crescimento", disse nesta segunda-feira, durante palestra no Cosan Day, reunião da companhia com analistas e investidores em São Paulo.

GUSTAVO PORTO, Agencia Estado

26 de novembro de 2012 | 14h09

Na avaliação dele, há uma "piora na qualidade da política econômica" do governo Dilma Rousseff. "A presidente tem toda legitimidade para fazer testes, foi eleita para isso. Mas houve uma piora", afirmou. Segundo Maílson, entre os fatores que levam à piora estão: custo Brasil, sistema tributário caótico, legislação trabalhista anacrônica e infraestrutura deteriorada, que causam a queda na produtividade. Com isso, de acordo com ele, a taxa de crescimento no Brasil caiu desde os governos dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.

Para o sócio da Tendências, a taxa de juros se tornou um componente político e a queda da Selic ocorre "porque a presidente quer". "Felizmente, não há risco de perda no controle da inflação", uma vez que, segundo ele, o Brasil estava preparado e a crise mundial ajudou a segurar a alta dos preços.

Maílson considera também que, apesar de o governo negar, a taxa de câmbio é fixa, com uma banda entre R$ 2,00 e R$ 2,10. "Mas o câmbio fixo precisa de regras. E esse (câmbio fixo) agora é vontade do governo."

Ele afirmou ainda que, diante do cenário traçado, o Banco do Brasil não terá problemas financeiros porque tem uma área de avaliação de risco com padrão internacional. "A dúvida é se a Caixa tem essa avaliação. O custo de inadimplência pode impor uma recapitalização da Caixa pelo Tesouro", disse. Já a Petrobras, na opinião de Maílson, está fragilizada financeiramente por conta dos preços da gasolina congelados.

Por fim, o ex-ministro afirmou que a parte boa é que o Brasil construiu um conjunto de instituições fortalecidas com uma sociedade intolerante à inflação. "Ainda temos a vantagem de que, se as políticas públicas não derem certo, poderemos mudar os governantes. Isso não acontecerá na próxima (eleição), pois acho que a presidente Dilma é candidata e séria favorita à reeleição."

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